Após ataque a laudos, família de Fabíola sai em defesa de delegada e peritas
A família de Fabíola Marcotti divulgou nota oficial para rebater as declarações da defesa do médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, que classificou os laudos da investigação sobre a morte da fisioterapeuta como "precários" e "amadores".
A manifestação é assinada pelo advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, assistente de acusação.
No documento, o advogado destaca que questionar provas é um direito da defesa, no entanto, desqualificar as profissionais envolvidas no caso e classificar a apuração técnica como “fantasiosa” ultrapassa os limites.
"Nós perguntamos: é assim que se trata o trabalho de mulheres que dedicaram conhecimento, técnica e responsabilidade à investigação da morte de outra mulher?", questionou a família no documento O posicionamento cita nominalmente as profissionais responsáveis pelo caso: a delegada Analu Lacerda Ferraz, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher); a perita Thayla Venancio; a médica perita do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), Priscilla Alexandrino; e as promotoras de Justiça Luciana do Amaral Rabelo e Daniele Borghetti Zampieri.
"Não são amadoras.
São profissionais que cumpriram suas funções diante de uma investigação de extrema complexidade", diz o documento encaminhado à imprensa.
A família ainda enfatizou o simbolismo do episódio ocorrer durante o Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Segundo a manifestação, a violência de gênero nem sempre é evidente e exige olhar técnico para ser identificada.
"O Ministério Público de Mato Grosso do Sul ofereceu denúncia por feminicídio e o Poder Judiciário recebeu, permitindo que o processo siga seu curso.
Não se trata de condenação antecipada, mas também não se trata de uma investigação que possa ser reduzida à 'fantasia'", pontua a família, reafirmando confiança na Polícia Civil, na perícia, no Imol, no MPMS e no Judiciário.
João Jazbik Neto virou réu após o recebimento da denúncia por feminicídio, violência psicológica, posse irregular de arma de fogo e fraude processual.
A acusação aponta que Fabíola foi agredida e morta por disparo de arma de fogo, contestando a versão inicial de suicídio apresentada pelo médico no dia do crime.
Caso - Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio, na chácara onde morava com o médico, em Campo Grande.
João relatou inicialmente que a companheira havia cometido suicídio, mas a Polícia Civil concluiu, após 95 dias de investigação, que ela foi assassinada.
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