Novo modelo para previsão do tempo precisa de mais verba, diz coordenador do projeto no Inpe
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O Brasil tenta ampliar sua capacidade de antecipar eventos extremos, mas uma de suas principais apostas recebe menos da metade do valor necessário, na avaliação do coordenador do projeto.
O modelo em questão é o Monan (Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera), liderado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Ainda em desenvolvimento, o Monan já faz previsões com até 15 dias de antecedência e resolução espacial de cerca de 10 km, próxima à dos principais centros internacionais, de acordo com Saulo Freitas, coordenador do projeto no Inpe.
Segundo ele, o Monan deve ajudar o país a antecipar eventos extremos e a se preparar para seus impactos. A capacidade de prever a evolução do El Niño deve ser incorporada em três ou quatro anos, e o modelo deverá estar em pleno funcionamento em 2031.
Freitas diz que o Monan buscará representar melhor a influência da amazônia , do cerrado , dos oceanos, do desmatamento e das cidades sobre o tempo e o clima na América do Sul.
Na concepção do Monan, a meta era obter R$ 5 milhões por ano. Freitas reconhece, porém, que a cifra é alta para os padrões nacionais e diz que cerca de R$ 2 milhões anuais já permitiriam ampliar a participação de universidades e centros de pesquisa, com bolsas, pessoal de apoio e equipamentos.
Hoje, de acordo com ele, o projeto recebe cerca de R$ 800 mil por ano. "É muito pouco", afirma.
O Monan está em desenvolvimento, mas a máquina necessária para processar seus dados já existe. É o supercomputador Jaci , que realiza em torno de 1,6 quatrilhão de operações matemáticas por segundo e é seis vezes mais rápido que o antigo Tupã , segundo Ivan Márcio Barbosa, do Inpe.
Sem esse supercomputador, diz Barbosa, a previsão poderia ficar pronta apenas "depois que o evento ocorreu" e com resolução muito menor.
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), responsável pelas previsões federais , diz que pretende adotar o Monan após a conclusão dos testes. Hoje, ele utiliza o modelo europeu Cosmo , que roda duas vezes por dia e faz previsões para a América do Sul com até sete dias de antecedência e resolução de 7 km.
Por usar um modelo regional, o Inmet afirma que "ainda depende 100% de dados oriundos dos modelos globais", hoje fornecidos pelo modelo alemão Icon . O órgão acrescenta que substituirá integralmente o Cosmo pelo próprio Icon em suas operações.
A troca internacional de dados e análises faz parte da rotina meteorológica. Como a atmosfera não respeita fronteiras, os países compartilham observações e previsões continuamente. A dependência brasileira, porém, vai além desse intercâmbio.
Para iniciar suas previsões, os modelos do Inpe utilizam um retrato das condições da atmosfera produzido pela agência americana NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.