BB melhora carteira de crédito, mas agro segue como preocupação do mercado
A melhora dos indicadores da carteira de crédito do Banco do Brasil, que cresceu 1,4% em um ano e atingiu R$ 1,31 trilhão em junho, foi um dos principais sinais positivos no balanço da instituição financeira, segundo o mercado. Investidores e analistas, entretanto, permanecem preocupados com as linhas para o agronegócio, setor em que a inadimplência emendou o 12º trimestre consecutivo de aumento.
Carteira de crédito do Banco do Brasil cresceu no segundo trimestre. O total cresceu 1,4% em um ano e atingiu R$ 1,31 trilhão em junho. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço foi impulsionado pelas concessões para consumidores, de R$ 342,5 bilhões para R$ 357,6 bilhões (+4,4%) e para o agronegócio, de R$ 404,9 bilhões para R$ 421,6 bilhões (+0,8%). Já a carteira para empresas encolheu 4%, para R$ 404,1 bilhões.
Banco do Brasil lucrou R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026. O ganho cresceu 3,3% na comparação com igual período de 2025. Segundo o banco, a margem financeira bruta atingiu R$ 27,5 bilhões, alta de 9,6% em um ano, em avanço impulsionado pelas receitas de crédito, especialmente nas operações com pessoas físicas.
No primeiro semestre, os empréstimos ao governo sustentaram alta firme. A expansão de 9% da carteira de crédito para o setor público, de R$ 101,7 bilhões para R$ 112 bilhões, foi impulsionada pela destinação à administração pública (+7,1%). No período, também cresceram as carteiras do agronegócio (+3,8%), das empresas (0,47%) e dos consumidores (+0,19%).
BB conseguiu subir o nível de segurança das carteiras no trimestre. O balanço do BB mostra que as operações de Estágio 1, que representam baixo risco de inadimplência, cresceram 1,7% em um ano e passaram a representar quase 90% das concessões. O avanço foi puxado por melhora de perfis nas linhas para pessoas jurídicas (de 89,4% para 90,9%) e agronegócio (de 89,1% para 89,6%). Já para pessoas físicas, a participação dessas operações de menor risco tiveram redução (de 84,4% para 83,7%),
Analistas do mercado alertam para a pressão na qualidade do crédito. Relatórios divulgados após o balanço apontam que o crescimento da carteira do BB tem sido sustentado por grandes empresas, setor público e agronegócio, enquanto o segmento de pessoas físicas perde fôlego. Para o time do Itaú BBA, liderado por Pedro Leduc, embora o foco em pessoas físicas seja o principal motor para manter as margens de lucro (spreads) elevadas, essa estratégia agora cobra o seu preço com o aumento dos custos de crédito.
A mudança no mix de crédito em direção a pessoas físicas, que tem sustentado os spreads dos clientes desde 2025, agora acarreta um custo de crédito mais alto. [...] Na nossa visão, os empréstimos de cartão de crédito e folha de pagamento originados nos últimos trimestres ainda não amadureceram completamente. Pedro Leduc, analista do Itaú BBA
Banco do Brasil conseguiu recuperar R$ 2 bilhões em créditos em julho. Segundo a presidente do banco, Tarciana Medeiros, o banco espera acomodação na inadimplência do consignado privado no segundo semestre, além de um cenário um pouco melhor também para o cartão de crédito.
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