Caso Thaissa: inquérito de feminicídio é concluído e defesa da família pede análise de novas agravantes
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu o inquérito sobre o feminicídio de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques , de 21 anos, morta com mais de 40 golpes de faca em uma academia no dia 11 de setembro, em Londrina , no Norte do Paraná. O homem de 21 anos investigado pelo crime foi indiciado por feminicídio e tentativa de estupro .
No indiciamento pelo feminicídio, foram consideradas as circunstâncias de emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima . O investigado foi preso logo após o crime e permanece detido.
A defesa da família de Thaissa, representada pelo advogado e assistente de acusação Mauro Martins, informou que pretende apresentar uma manifestação ao Ministério Público do Paraná (MPPR) para pedir a análise de outras circunstâncias que, na avaliação dos advogados, também encontram respaldo nos elementos reunidos durante a investigação.
Um dos pontos que serão levados ao Ministério Público envolve a motivação do crime . Segundo os representantes da família da vítima, os elementos reunidos indicam que a violência teria ocorrido após Thaissa se recusar a manter relação sexual com o investigado .
Por isso, os advogados querem que o MPPR analise a possível incidência da agravante de motivo torpe .
A defesa também pede a análise de outra agravante prevista no Código Penal para situações em que um crime é cometido para facilitar ou assegurar a execução, ocultação ou impunidade de outro delito .
Na avaliação da defesa, há elementos que permitem discutir se o feminicídio ocorreu no contexto da violência sexual e também para impedir que Thaissa pudesse denunciar o que havia acontecido .
Outro ponto que não entrou no indiciamento e será levado ao Ministério Público é a possível configuração do crime de ocultação de cadáver .
Segundo a manifestação da defesa, relatos colhidos durante a investigação apontam que a porta da academia permanecia normalmente aberta, inclusive para que funcionários apresentassem o espaço a possíveis clientes. Após o crime, porém, a porta teria sido fechada.
Para os advogados, essa circunstância deve ser confrontada com as demais provas para determinar se houve uma ação destinada a esconder o corpo de Thaissa ou retardar sua localização .
“Nosso objetivo, enquanto assistentes da acusação, é contribuir para que todas as circunstâncias reveladas pela investigação sejam juridicamente analisadas e, havendo suporte probatório, constem da imputação que será submetida ao Poder Judiciário e, oportunamente, ao Tribunal do Júri”
Na última manifestação da defesa do investigado, feita antes da conclusão do inquérito, a advogada Rafaela Vainer afirmou que pretende sustentar, entre outros pontos, questões relacionadas à condição do homem, que teria Transtorno do Espectro Autista (TEA) .
Segundo ela, um laudo pericial produzido no âmbito da Justiça Federal teria apontado uma incapacidade permanente desde o nascimento.
“Ele só começou a falar com 10 anos de idade e a andar com 5 anos de idade, então realmente essa será a linha de defesa técnica”
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