Xamã Ashaninka denuncia ameaça do crime organizado às águas da fronteira entre Acre e Peru
O xamã e liderança do povo Ashaninka Moisés Piyãko lança nesta quarta-feira (21), às 18h (horário de Brasília), o vídeo “Águas transfronteiriças”, novo Recado Selvagem da Associação Selvagem.
A gravação foi feita às margens do Rio Amônia, no Acre, e a estreia ocorre no YouTube.
No recado, Moisés trata das ameaças a rios e nascentes na fronteira entre o Brasil e o Peru, entre elas o desmatamento, o extrativismo ilegal e o avanço do crime organizado.
Ele propõe que a Terra seja entendida como um organismo vivo, no qual todos os elementos estão conectados.
Sobre a chuva, afirma: “A chuva que a gente vê é um giro que ela faz através das plantas e de todo esse sistema que Pawa deixou para nós”.
Para os Ashaninka, Pawa é a divindade criadora.
A Associação Selvagem afirma que as fronteiras do Brasil estão dominadas por facções criminosas, que usam armas para submeter povos da floresta e se infiltraram na política e nas nascentes.
Segundo a organização, é possível colaborar e mobilizar a sociedade para evitar que rios e povos sejam atingidos.
A fala do xamã tem base científica.
As árvores da Amazônia devolvem à atmosfera a água que retiram do solo, processo que forma os chamados rios voadores, responsáveis por levar chuva a outras regiões.
Com a derrubada da floresta, esse ciclo é interrompido.
O recado foi inspirado na atuação de Moisés na Comissão Transfronteiriça Juruá-Yurúa-Alto Tamaya, que defende a sociobiodiversidade da região dos rios Juruá (Acre) e Yurúa e Alto Tamaya (Ucayali, Peru).
A comissão atua com uma rede de organizações e comunidades aliadas nos dois países, que fortalecem a defesa dos territórios, das florestas e das culturas amazônicas.
Rios e florestas não respeitam fronteiras: quando as nascentes são invadidas, as comunidades situadas ao longo do curso da água sofrem as consequências.
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