EUA não oferecem contrapartida equivalente ao que a China oferece, diz Arko
Os Estados Unidos não conseguem oferecer uma contrapartida equivalente ao que a China proporciona à América Latina , segundo avaliação do CEO da Arko Advice Internacional, Thiago de Aragão, ao WW .
Segundo o especialista, Washington parte de premissas equivocadas ao tentar ampliar sua influência no hemisfério.
De acordo com Aragão, há uma leitura por parte de Donald Trump de que todos os países da região teriam um desejo intrínseco e de alto nível de expandir suas relações com os Estados Unidos.
“Isso pode ser certo, pode ser errado, pode variar de país a país”, afirmou.
O problema, segundo ele, está no mecanismo de aproximação adotado por Washington.
Washington superestima o valor de sua validação Aragão explica que Washington interpreta, com frequência, que governantes e líderes da oposição latino-americanos buscam validação norte-americana e que essa validação teria um valor muito alto.
Na prática, porém, haveria uma discrepância significativa entre o que Washington imagina que essa validação vale e o que as capitais latino-americanas efetivamente percebem.
“ O preço dessa validação seria feito de uma forma onde você abriria mão de vários níveis de relacionamento com a China “, disse o especialista.
Leia mais Presidente do Equador se reúne com Xi Jinping na China Entenda a troca de chefe dos EUA para relações com América Latina EUA não se importam com regras internacionais sem benefícios, diz professor Diferença estrutural entre EUA e China Um ponto central destacado por Aragão é a diferença estrutural entre as duas potências .
“Como uma democracia, os Estados Unidos não conseguem obrigar as suas indústrias a investir em determinado país”, afirmou.
A China, por outro lado, consegue pressionar suas empresas a investir em nações específicas, mesmo que isso implique perdas financeiras recorrentes.
Como exemplo, Aragão citou o caso do presidente argentino, Javier Milei, que, na mesma semana em que recebeu um cheque de US$ 25 bilhões do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent , realizou exportações recorde de carne e trigo para a China.
Limpeza da imagem chinesa na região O especialista também destacou que a China vem passando por uma espécie de “limpeza” em sua imagem em diversos países da América Latina , inclusive naqueles governados pela direita.
Aragão lembrou que, há alguns anos, havia grande repercussão sobre questões como direitos humanos em Xinjiang e repressão por parte do governo chinês — temas que, segundo ele, praticamente deixaram de ser discutidos.
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