“Jabuti” troca 2% garantidos por “até 2%” em verba para jovens da Amazônia
Uma emenda apresentada pela deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA) flexibiliza a reserva de recursos do Fundo Amazônia para projetos destinados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na Amazônia Legal.
O PL 1.011/2025, de autoria do deputado Coronel Chrisóstomo, tem como objetivo destinar 2% dos recursos do Fundo Amazônia a atividades esportivas, culturais e de lazer voltadas a esse público.
É assim que a própria relatora descreve a finalidade da proposta em seu parecer.
As emendas apresentadas por Rogéria, porém, mexem justamente nessa garantia.
Na ementa, “2%” passa a ser “até 2%” .
No artigo que determina a aplicação do dinheiro, os recursos deixam de ser destinados e passam a “poder ser destinados” aos projetos.
A alteração é pequena na forma e grande no efeito.
“Até 2%” deixa de assegurar um percentual fixo.
“Poderão ser destinados” transforma uma determinação em possibilidade.
O texto também passa a condicionar a aplicação do dinheiro às diretrizes e aos critérios definidos pelo Comitê Orientador do Fundo Amazônia.
Segundo Rogéria Santos, a mudança pretende garantir uma alocação “planejada, transparente e eficiente” dos recursos.
É aí que aparece o jabuti.
O projeto continua formalmente destinado a crianças e adolescentes, mas perde a garantia de que 2% dos recursos serão efetivamente reservados para essa finalidade .
A própria argumentação da relatora expõe uma contradição.
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