Altas habilidades desafiam famílias e escolas em busca de diagnóstico precoce
A mãe Cristiane Gercina aborda descobertas do início da maternidade e desafios da adolescência
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Kevin Schivo Paulo sempre foi diferente. Desde bebê, ficava alerta com tudo o que acontecia ao redor. Aos dois anos, assim que começou a falar, o menino já conseguia soletrar o alfabeto. Aos sete anos, após vários testes e muitos questionamentos dos pais na escola, houve o diagnóstico de que ele tem altas habilidades.
Kevin tem um QI (quociente de inteligência) de 138, índice alcançado apenas por cerca de 0,6% da população, ou seis em cada 1.000 pessoas (aproximadamente 1 em cada 167 pessoas), o que significa que poucas pessoas possuem uma inteligência como a dele.
Segundo o Censo Escolar de 2025, cerca de 56 mil estudantes brasileiros foram formalmente identificados com altas habilidades ou superdotação. Entidades que atuam na área, porém, afirmam que o número está longe de refletir a realidade, já que muitos alunos nunca são reconhecidos pelo sistema educacional.
"Para ele, é muito mais difícil fazer amizades. É mais reservado e os interesses dele são muito diferentes dos amigos. Ele ama o espaço, buraco negro e as pessoas ao redor não conseguem acompanhar", diz Gisele Velloso Schivo Paulo, mãe de Kevin.
As altas habilidades ou superdotação são uma condição reconhecida pela educação especial que identifica estudantes com desempenho significativamente acima da média em áreas como raciocínio lógico, linguagem, matemática, artes, música, criatividade, liderança ou outras aptidões específicas.
Lei federal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em junho deste ano estabelece diretrizes para reconhecimento, acompanhamento e desenvolvimento de estudantes com altas habilidades ou superdotação em todo o país.
Entre as medidas previstas estão a criação de um cadastro nacional, a oferta de atendimento educacional especializado e a possibilidade de flexibilização da trajetória escolar.
A condição traz uma série de desafios, principalmente aos pais e às famílias. Entre eles, estão o hiperfoco, o senso de justiça muito aguçado, o perfeccionismo e a extrema dificuldade de relacionamento da criança com altas habilidades.
Para Gustavo Gattino, doutor em saúde da criança e do adolescente pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e pesquisador nas áreas de desenvolvimento humano, saúde mental e neurodivergência, a escola exerce papel fundamental no processo de identificação precoce das características das altas habilidades.
"É importante que professores, psicólogos, psicopedagogos e neuropsicopedagogos compreendam que a superdotação aparece associada a desafios, como a intensidade emocional e a alta sensibilidade. É justamente na combinação desses elementos que a escola precisa estar atenta para encaminhar o estudante para uma avaliação formal", diz.
Vania Lira, mãe da escritora Malu Lira, diz que a filha foi diagnosticada com altas habilidades aos 11 anos. A menina tem QI de 133 e está associada ao Mensa (associação de superdotados).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.