“Luis Turiba morre aos 76 anos; poeta e jornalista foi ativista político”
O poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba morre nesta quarta-feira (26), aos 76 anos, em Salvador (BA), devido a complicações graves de saúde.
A família ainda não divulgou detalhes sobre o velório e o sepultamento do escritor.
O poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba morre aos 76 anos em Salvador, Bahia.
Turiba deixou uma vasta obra que inclui poesias, crônicas e parcerias musicais, além de um legado de resistência política.
Em agosto de 2024, ele recebeu anistia política e um pedido formal de desculpas do Estado brasileiro.
Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma obra ampla, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção Bico da Torre , musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e por Célia Porto.
Flamenguista, o escritor deixou em seu livro Luminares (1983) uma espécie de manual de despedida, um roteiro de velório bem a seu estilo: irônico, despojado e afetuoso.
“Coloquem Imagine na vitrola / retirem—lhe o coração em frangalhos / e enterrem-no enrolado na bandeira do Flamengo / Quanto ao resto / corpo — subproduto da vida / qualquer cerimônia (simples) cabe / Afinal a morte é sempre um gol de placa / aos 45 minutos / do segundo tempo da existência / No mais: —foi bom ponta-de-lança / Comemorem pois nada disso lhe pertence mais.” Trajetória e militância Luiz Artur Toribio, ou simplesmente Turiba, nasceu no Recife (PE) em 1950, mas mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde tornou-se militante do movimento estudantil.
Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi impedido de terminar seus estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) durante a ditadura civil-militar (1964-1985).
Prestes a completar 18 anos, Turiba foi preso por determinação da Justiça Militar, que o condenou a seis meses de prisão por alegada participação em “atividades subversivas”.
Segundo ele, ao ser detido, agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército, o torturaram física e psicologicamente.
Lançou seu primeiro livro de poesia, Kiprokó , em 1977.
Ainda no Rio de Janeiro, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil .
Foi como correspondente da Gazeta que Turiba se mudou para Brasília em 1979.
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