Promotoria quer explicação da gestão Nunes por contrato de iluminação de R$ 7 bi considerado irregular
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O Ministério Público de São Paulo abriu uma nova frente nas investigações que apuram suposto prejuízo milionário no setor de iluminação pública da capital paulista. Em despacho da última quinta (20), a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social exigiu explicações da procuradora-geral do Município, Luciana Sant'Ana Nardi, por ela ter supostamente imposto obstáculos ao cumprimento de sentenças do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e do STF (Supremo Tribunal Federal) que resultariam no cancelamento do contrato vigente.
Em resposta, a gestão do prefeito Ricardo Nunes ( MDB ) afirmou que executa o contrato de forma regular e que, assim que for oficialmente intimada da ação, apresentará à Justiça todos os esclarecimentos necessários.
No processo judicial finalizado em dezembro de 2024, a corte suprema do país considerou que a licitação concluída em 2018 desclassificou irregularmente um concorrente que apresentou preço mais baixo. Com isso, o consórcio Ilumina SP (composto pelas empresas FM Rodrigues e CLD Construtora) foi contratado por R$ 6,9 bilhões para prestar serviços por 20 anos. O valor é R$ 1,3 bilhão mais caro do que o proposto pelo desclassificado consórcio Walks.
Houve ainda um aditivo contratual em 2022, sem licitação, para que a Ilumina SP incorporasse serviços semafóricos ao custo de R$ 3,8 bilhões.
O Ministério Público calcula que a manutenção da contratação considerada irregular pela Justiça resulta em um prejuízo acumulado de R$ 513 milhões até julho deste ano, incluindo pagamentos já realizados.
A Folha revelou no mês passado que a Promotoria pediu o bloqueio de R$ 1 bilhão de ex-agentes públicos envolvidos no certame e da empresa declarada vitoriosa. A solicitação foi acatada pelo TJ-SP no último dia 14 de agosto. O valor do bloqueio é a soma dos R$ 513 milhões de suposto prejuízo e da multa de igual valor.
A nova ofensiva foi desencadeada por revelações surgidas nos bastidores da própria agência reguladora paulistana. No dia 5 de agosto de 2026, os diretores da SP Regula Mauro Haddad e Valéria Rossi prestaram depoimento à Promotoria. Na ocasião, ambos os dirigentes declararam que a decisão judicial só não foi cumprida até hoje por expressa orientação da procuradora-geral do município.
Diante do teor dos depoimentos, os promotores Silvio Antonio Marques e Karyna Mori oficializaram o despacho que concede um prazo de dez dias úteis para que a procuradora-geral preste esclarecimentos.
Segundo o Ministério Público, a Procuradoria-Geral e a presidência da SP Regula têm atuado em conluio para adiar o cumprimento dos acórdãos que transitaram em julgado no final de 2024.
Os promotores ainda refutam a tese da prefeitura de que não havia prazos estipulados pelas instâncias superiores para a retomada do certame.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.