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Fim da 6x1 cria dilema fatal para Flávio Bolsonaro

UOL Notícias ·
Fim da 6x1 cria dilema fatal para Flávio Bolsonaro

Há um grupo de senadores que discorda do fim da escala 6x1, chama a medida de inócua e eleitoreira e diz que o país vai quebrar se ela for aprovada. É direito deles pensarem assim, tanto quanto é o de outros senadores defenderem que ela irá melhorar a vida de uma parcela significativa de brasileiros, que terão mais tempo para si mesmos e suas famílias.

A questão é que muitos dos que se colocam de forma contrária não querem nem que o fim da 6x1 seja colocado em votação. Primeiro, porque sabem que ela será aprovada se entrar no plenário. Mas também porque não terão coragem de sustentar sua própria posição. Com medo dos eleitores que podem renovar dois terços do Senado Federal em outubro, muitos que gritam "não" botariam o rabo entre as pernas e apertariam o "sim".

Isso já foi visto na Câmara, onde a matéria alcançou o apoio de 472 dos 513 deputados, muitos dos quais passaram meses em campanha contra, mas tremeram as perninhas diante do julgamento do eleitorado. Mostraram que a solidez de sua palavra e de suas crenças é menor que o seu pragmatismo. Os trabalhadores agradecem a contradição.

Entrevistamos ontem no UOL News o relator da PEC do Fim da 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Omar Aziz (PSD-AM), que acredita que a matéria receberá mais de 65 votos , ou seja, 80% dos 81 senadores e bem acima dos 49 necessários.

Por isso, aliados de Flávio Bolsonaro estão tentando impedir que o tema seja colocado em votação, como relatou Lauriberto Pompeu no jornal O Globo. Como já tratei aqui, querem aprovar, no lugar, uma proposta do senador Rogério Marinho, seu coordenador de campanha, para que a redução de horas venha de negociação entre patrão e empregado.

Maria, empregada doméstica que ouviu da patroa que se ela não aceitar as condições de emprego impostas, há muita gente que aceitaria no lugar, discorda da viabilidade da livre negociação quando um dos lados é pobre.

Flávio Bolsonaro tem um dilema. Será uma porrada na cara do eleitorado se ele aparecer dizendo "não" a uma medida que conta, segundo os institutos de pesquisa, com 70% de apoio da população. Caso estivesse se candidatando a deputado federal, representando um nicho ideológico, isso seria plausível. Mas para presidente da República?

Ainda mais constrangedor, contudo, será ele votando pelo "sim", pois estará apoiando uma medida patrocinada pelo seu adversário, o presidente Lula, e que pode ajudar a reelegê-lo.

Vai sobrar a ele a abstenção, com a justificativa de que estava cumprindo compromissos de campanha.

É por isso que a obstrução antes da votação é tão conveniente, pois funciona como um voto "não" sem deixar digitais. Mas quem deseja governar o país não pode se esconder atrás do regimento para evitar o julgamento popular. Se Flávio e seus aliados consideram o fim da 6x1 uma ameaça ao Brasil, que votem contra e expliquem isso aos eleitores. Democracia também serve para separar convicção de covardia.

Afinal, quem quer presidir a República precisa dizer com clareza se o trabalhador merece dois dias para viver ou apenas seis para trabalhar.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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