Grávida tem diagnóstico errado de aborto e descobre bebê vivo um mês depois
Uma mulher descobriu que continuava grávida um mês após passar por uma curetagem depois de receber diagnóstico errado de aborto espontâneo. O caso aconteceu no HES (Hospital Estadual de Sumaré), no interior paulista, e foi confirmado pela própria instituição ao UOL .
Paciente relata que diagnóstico de aborto espontâneo foi feito sem ultrassom. Em entrevista à EPTV, a mulher, que não quis ser identificada, contou que foi até o hospital em 12 de julho após acordar com um sangramento.
A gestação transcorria sem intercorrências até então. Um mês antes, ela fez um exame em outro hospital que apontou gestação normal, com embrião de aproximadamente seis semanas e cinco dias.
Segundo ela, uma médica do HES fez apenas um exame de toque e atestou o aborto espontâneo em seguida. "Não fizeram ultrassom para confirmar. Foi confirmado por ela com exame físico que tive esse aborto. Deram a opção de fazer a curetagem, que foi realizada no mesmo dia", disse.
A curetagem é um procedimento em que é feita a raspagem da parede do útero. A técnica remove tecidos ou resíduos que permanecem no órgão após o abortamento.
Após o procedimento, a mulher diz que seu corpo ainda dava sinais da gravidez. Ela relatou que sentia muito enjoo, dor na lombar, que a barriga não diminuía e que os seios estavam enchendo de leite.
Erro no diagnóstico foi descoberto cerca de um mês depois da curetagem. Paciente havia decidido tomar um anticoncepcional injetável, que requer um teste de gravidez antes de ser implantado. O resultado deu positivo, e ela voltou no HES no dia 14 de agosto.
Equipe médica pediu ultrassom com urgência e exame constatou que a gravidez continuava. "Para minha surpresa, quando o aparelho foi colocado na minha barriga, do nada um coração batendo. Eu ainda questionei a médica, 'como assim, tem um coração batendo aí, se eu fiz uma curetagem no dia 12 [de julho]?'"
Exame identificou feto em desenvolvimento, mas sem líquido amniótico. A ultrassonografia apontou peso de 170 gramas e frequência cardíaca de 157 bpm, porém constatou ausência total de líquido amniótico, o que pode afetar o desenvolvimento do bebê.
Paciente afirma que equipe médica admitiu que curetagem pode ter perfurado a bolsa. "Eles me pediram perdão, mas acho que perdão e desculpa não vai mudar o cenário que eu estou vivendo hoje. Falou que pode ser que, através do procedimento da curetagem que eles fizeram comigo, foi furada a minha bolsa."
Ela recusou interrupção da gravidez sugerida pelos médicos. "Foi sugerido que eu poderia interromper a gestação, por falta desse líquido, porque através desse líquido que acontece o amadurecimento do pulmão. Eu tenho risco e infelizmente meu bebê também tem. Eu não quero tirar a vida do meu bebê. Enquanto há vida, há esperança, e eu vou viver essa gestação até quando Deus permitir."
O Hospital Estadual de Sumaré informou que abriu sindicância para apurar a conduta da equipe. Em nota encaminhada ao UOL , a unidade lamentou o ocorrido e informou que, se constatadas irregularidades, medidas cabíveis serão adotadas.
Hospital disse que acolheu a paciente e prestou apoio.
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