Governo Trump vetou missão da Receita Federal após visita de Lula aos EUA
Depois da visita do presidente Lula a Washington, realizada em 7 de maio passado, a Receita Federal, dando seguimento a orientações do Executivo brasileiro, organizou uma missão de técnicos da Receita Federal aos Estados Unidos. O objetivo era promover encontros com técnicos do IRS (Internal Revenue Service, a Receita Federal dos EUA), para fortalecer a cooperação em matéria de combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. A missão, segundo confirmaram fontes oficiais à coluna, nunca saiu do papel por oposição do Departamento de Estado americano.
Segundo as mesmas fontes, quando autoridades do Departamento de Estado tomaram conhecimento sobre a missão, a resposta do governo americano ao Brasil foi de que não seria possível realizar a visita. Para que ela fosse possível, os técnicos da Receita precisariam de vistos para entrar nos EUA, e esses vistos não seriam autorizados pelo governo Trump.
Palavras mais, palavras menos, foi dito ao governo Lula que não era hora de dar boas notícias ao Brasil. Enquanto alguns achavam que o encontro de Lula e Trump acalmara as águas da relação bilateral, a situação continuava tensa, e escalaria ainda mais.
Depois vieram os novos tarifaços contra o Brasil e, mais recentemente, a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, hoje impedida de sair dos Estados Unidos — porque, nesse caso, não poderia retornar.
A coluna procurou a Receita Federal e o Ministério da Fazenda em Brasília, e a resposta foi que não farão comentários sobre o assunto. Essa é a posição final de ambos, frisou a fonte consultada.
A missão abortada pelo Departamento de Estado era grande, segundo apurou a coluna. Pelo menos dez técnicos da Receita Federal pretendiam viajar aos Estados Unidos em junho, para iniciar um trabalho conjunto que foi proposto pelo presidente Lula na conversa que teve com Trump na Casa Branca.
Na reunião bilateral, o presidente brasileiro que, naquele momento, temia uma iminente decisão do governo americano de incluir o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas, propôs a criação de grupos de trabalho sobre vários temas, entre eles o combate ao crime organizado.
O Brasil defendeu o aprofundamento da cooperação já existente em matéria de inteligência, entre outras, e na luta contra flagelos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas.
O Brasil defende que a melhor estratégia contra o crime organizado é a cooperação mútua em inteligência policial (via Polícia Federal, Interpol e compartilhamento financeiro).
Com esse posicionamento, a missão da Receita Federal foi organizada rapidamente, após a viagem de Lula aos EUA. Derrubada pelo Departamento de Estado, ou seja, pela ala mais ideológica do governo de Trump que, no atual momento, controla a relação com o Brasil, a missão ficou sem data para acontecer.
Fontes oficiais em Brasília confirmaram que a relação entre a Receita Federal e o IRS é muito boa, e que a cooperação entre ambos continua.
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