Precisamos mesmo buscar um vilão a cada derrota de João Fonseca?
João Fonseca jogou menos e venceu menos do que a maioria do top 30 este ano. Não conseguiu defender o título do ATP de Buenos Aires. Perdeu um punhado de jogos ganháveis. Teve lesões e atuações ruins aqui e ali. Ainda assim, está duas posições acima de seu ranking no começo do ano e, dois meses atrás, alcançou as quartas de final de um slam após bater Novak Djokovic e Casper Ruud em Roland Garros. Também somou partidas (e experiência) contra Jannik Sinner, Carlos Alcaraz, Alexander Zverev e Ben Shelton.
Não é uma temporada ruim. Longe disto. Pelo menos para quem tenta ver o cenário com um mínimo de equilíbrio. Mas tudo bem. Vivemos no Brasil, e nossa monocultura esportiva, sempre tendo o futebol como referência, quase exige essa postura efervescente. O técnico quase sempre tem culpa (embora no tênis seja muito menos simples observar e entender a influência do treinador). Com O calendário, é o mesmo. Se vem uma lesão, é porque jogou demais. "Não pode forçar o corpo de um menino de 19 anos". Se perde muito, é porque jogou pouco e está sem ritmo. "Precisa competir mais". E seguimos (quase) todos como técnicos de segunda-feira julgando mais resultados do que processos.
Vejamos com um pouco mais de calma o calendário, por exemplo (tema que tratei no podcast Café Com o Cossenza desta terça-feira). João Fonseca jogou menos torneios (13) do que a maioria do top 30 e, sobretudo, de tenistas de sua faixa etária como o espanhol Rafael Jódar (15), o americano Learner Tien (15) e o tcheco Jakub Mensik (15). De repente, o suposto planejamento de João passou a ser a causa de todos os males.
Sabemos que o Time Fonseca tende a ser cauteloso com o aspecto físico, mas será que eles queriam jogar tão pouco assim? Basta olhar com atenção para ver que não foi o caso este ano. A programação do carioca incluía, além dos 13 torneios jogados, os ATPs de Brisbane, Adelaide, Hamburgo e Eastbourne. Questões físicas, contudo, fizeram João se ausentar de todos eles. Mas a ideia era ter 17 torneios na conta até agora. Mais ou menos o mesmo dos três contemporâneos citados acima (que também desistiram de alguns eventos).
"Ah, mas podia ter jogado o ATP 500 de Washington", argumentaram alguns seguidores quando postei o vídeo acima. Verdade. Poderia. Com prós e contras. O lado bom seria chegar ao Masters de Montreal com um pouco mais de ritmo de jogo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.