Inflação voltará a ganhar força em setembro, ainda sem efeitos do El Niño
As expectativas do mercado financeiro indicam que a inflação voltará a ganhar força em setembro, após uma deflação estimada para este mês de agosto. Entre os principais pesos no bolso, aparece a recomposição do "Bônus de Itaipu" sobre as contas de luz, ainda sem o peso do El Niño sobre os preços.
Inflação de setembro vai representar a primeira aceleração desde março. Após a sequência de quatro desacelerações seguidas, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) vai registrar, em agosto, a primeira deflação em um ano, conforme as expectativas do mercado financeiro. A variação negativa é esperada devido à queda de preço dos alimentos e do abatimento das contas de luz com o chamado "Bônus de Itaipu".
Para setembro, redistribuição do "Bônus de Itaipu" vai pesar na inflação . Principal responsável pela estimativa de deflação neste mês, o abatimento de R$ 872,1 milhões nas contas de 83,8 milhões de consumidores vai pesar no resultado do IPCA do próximo mês. "O benefício vai acabar e haverá um efeito rebote na inflação e no bolso do consumidor", explica Rodrigo Franchini, especialista da Monte Bravo.
Próximas divulgações do IPCA não devem interferir na política monetária. Os analistas apontam que as variações causadas pela evolução das contas de luz não são importantes para a definição do futuro da taxa básica de juros. "Uma alta maior [da inflação] em setembro não significaria uma piora estrutural da inflação", avalia Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Esses ajustes de curto prazo do IPCA não são factíveis de serem levados em conta para uma decisão tão séria [da taxa Selic], porque são eventos pontuais, sem impacto de longo prazo. Rodrigo Franchini
Impacto inflacionário do El Niño nos preços ainda é incerto. O fenômeno climático marcado pela elevação das temperaturas do Oceano Pacífico tem potencial para afetar as lavouras e alcançar o preço dos alimentos na mesa das famílias. "Os impactos do El Niño devem começar a ser sentidos em outubro, quando a inflação de alimentos tende a acelerar", prevê Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos.
Efeito cascata das alterações deve persistir até o fim deste ano. As estimativas indicam que as eventuais alterações no regime de chuvas e temperaturas ainda não chegarão aos preços no próximo mês.
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