Antes dos bairros, as saídas: por que campo-grandense se localiza pelas rodovias
Pergunte a um campo-grandense onde fica determinado endereço e há boas chances de a resposta não trazer nenhuma das sete regiões urbanas usadas oficialmente para dividir a cidade.
Em vez de Prosa ou Anhanduizinho, aparecem referências muito mais familiares: saída de Cuiabá, saída de São Paulo, saída de Três Lagoas, saída de Rochedo.
Aos 127 anos, Campo Grande ainda é explicada por seus moradores a partir de caminhos que apontam para fora dela.
Não é apenas força de expressão.
O costume está ligado à própria formação da cidade, quando estradas usadas por boiadeiros, pecuaristas e viajantes funcionavam como vias de entrada e saída do antigo povoado.
O contraste é curioso.
No planejamento urbano, Campo Grande é organizada atualmente em sete regiões: Centro, Prosa, Segredo, Bandeira, Imbirussu, Lagoa e Anhanduizinho.
Essa divisão surgiu após estudos que passaram a usar as bacias hidrográficas dos córregos urbanos como referência.
Na rua, porém, a água perdeu a disputa para o asfalto.
Cabeleireira desde 2010 na região norte da Capital, Adriana de Oliveira diz que identifica o próprio endereço principalmente pela saída de Cuiabá e por pontos conhecidos do caminho.
“Eu tenho um salão.
Onde que é esse salão? Saída de Cuiabá, saída do Parque dos Poderes.
Então, em qualquer outro lugar que você vai, quando pergunta onde você mora, não fala o bairro, dá um ponto de referência.
Já é um hábito do campo-grandense”, conta.
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