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Pastor investigado por usar projeto religioso para ajudar Comando Vermelho morre em MT

Por Redação 5News · · com informações de G1 Mato Grosso
Pastor investigado por usar projeto religioso para ajudar Comando Vermelho morre em MT

Pastor investigado por auxiliar Comando Vermelho morre em Cuiabá

O pastor Nivaldo de Almeida faleceu neste sábado, 5 de setembro, em Cuiabá, vítima de complicações provocadas por câncer. A morte encerra um capítulo turbulento na vida do religioso, que havia sido alvo de uma investigação policial alguns meses antes. O funeral foi realizado na manhã do dia seguinte, domingo, em cerimônia que marcou o encerramento de uma trajetória profundamente abalada por acusações graves. Nivaldo integrava o rol de investigados da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho deste ano, cuja trama revelou uma tenebrosa conexão entre atividades religiosas e apoio a uma das maiores facções criminosas do país.

A Operação Fariseus e o esquema investigado

Durante o mês de julho, especificamente no dia 16, a Polícia Civil de Mato Grosso executou uma série de medidas cautelares contra uma família inteira ligada a atividades missionárias. A ação, batizada de Operação Fariseus, tinha como objetivo desarticular um suposto esquema em que membros dessa família utilizavam seu trabalho religioso como fachada para prestar diversos tipos de suporte a integrantes do Comando Vermelho, a facção criminosa que atua primordialmente no Rio de Janeiro, mas que mantém ramificações e influência em outros estados brasileiros.

Além do pastor Nivaldo, a operação atingiu sua esposa, a pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e a filha do casal, Rhavenna Barcelos de Almeida, que exercia atividades como missionária. Enquanto o casal de pastores foi alvo de mandados de busca e apreensão, a jovem missionária recebeu uma prisão preventiva, significando que seria mantida encarcerada enquanto prosseguisse a investigação, sem data predeterminada para sua liberação.

As medidas judiciais aprovadas extrapolaram as buscas convencionais. A investigação contemplava também a quebra de sigilo em três frentes distintas: telefônica, permitindo acesso aos registros de chamadas e mensagens; bancária, viabilizando consulta aos movimentos financeiros; e telemática, cobrindo atividades na internet e em plataformas digitais. Além disso, foi decretada a suspensão temporária do direito de acesso dos investigados às unidades prisionais através de atividades religiosas, impedindo que continuassem suas visitas de evangelização ou outros trabalhos missionários nesses estabelecimentos.

Os caminhos da investigação

O ponto de partida para toda essa investigação foi uma denúncia anônima que chegou ao conhecimento das autoridades policiais. Conforme relatado, um informante anônimo levou ao conhecimento da polícia que integrantes dessa família de missionários estariam utilizando seus projetos religiosos como pretexto para acessar a Penitenciária Central do Estado, localizada em Cuiabá, onde supostamente executavam atividades irregulares. Especificamente, denunciou-se a entrega de itens proibidos dentro da unidade, entre eles aparelhos celulares, carregadores de bateria e outros objetos que não deveriam estar em poder dos detentos.

De acordo com os levantamentos conduzidos pela polícia, a atuação desses missionários dentro dos presídios tinha função estratégica para a organização criminosa. Eles teriam mantido comunicação regular com presos, transmitindo recados entre detentos e lideranças externas, servindo como intermediários para aproximar familiares dos presos com chefes da facção, e realizando operações financeiras que estariam ligadas aos movimentos econômicos clandestinos da organização. Esse tipo de canal de comunicação é extremamente valioso para organizações criminosas, permitindo que lideranças encarceradas continuem exercendo controle sobre operações fora da prisão.

A coleta de provas incluiu análise de videochamadas efetuadas entre mulheres vinculadas ao projeto religioso e membros da facção Comando Vermelho. O material coletado pelas autoridades revelava momentos comprometedores, como aquele em que um líder considerado foragido participava de uma videochamada enquanto um comparsa seus disparava rajadas de fuzil contra uma comunidade, cena que foi registrada e posteriormente obtida pela investigação como evidência.

O contexto das acusações

Os investigados foram formalmente acusados de uma série de crimes graves. As suspeitas enquadram-se em legislação relacionada à integração em organização criminosa, um tipo penal que descreve a participação consciente em grupo estruturado voltado para a prática de delitos. Além disso, pesam contra eles as acusações de corrupção de menor, um crime que envolve induzir ou explorar menores em atividades ilícitas. Há também a suspeita de tortura, crime de natureza grave que configura submissão a sevícias físicas ou psicológicas. Por fim, a denúncia inclui lavagem de dinheiro, o crime de maquiar a origem ilícita de recursos financeiros.

O Comando Vermelho, organização pela qual investigava-se o apoio, é uma facção com raízes profundas na criminalidade fluminense. Originária do Rio de Janeiro, essa organização expandiu sua atuação para diversos estados brasileiros e é conhecida por sua estrutura hierarquizada e sua capacidade de articulação de atividades criminosas em larga escala, incluindo tráfico de drogas, roubos organizados e execução de rivais. A presença de seus integrantes em presídios federais e estaduais representa um desafio permanente para a administração penitenciária, pois líderes encarcerados continuam orientando operações externas através de canais de comunicação que frequentemente conseguem burlar as medidas de segurança.

A utilização de missionários e projetos religiosos como intermediários representa uma estratégia sofisticada para manter esses canais abertos, pois as visitas religiosas tendem a sofrer menos restrições que outras modalidades de acesso. Religiosos que trabalham dentro de presídios geralmente encontram menos empecilhos para entrada e saída, o que torna esse tipo de colaboração particularmente valioso para facções criminosas que buscam manter comunicação constante com seus líderes presos.

O que acompanhar

Com a morte do pastor Nivaldo de Almeida, abre-se uma incógnita sobre o prosseguimento do caso nos seus aspectos procedimentais. Caberá às autoridades determinar se a investigação continuará em relação aos outros investigados, particularmente a pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida e a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, que permanecia em situação de prisão preventiva. A evolução do caso dependerá do andamento das análises de provas, em particular dos registros de videochamadas e das informações obtidas através das quebras de sigilo.

Outro ponto a ser observado envolve possíveis desdobramentos em relação aos membros do Comando Vermelho que teriam participado desse esquema de comunicação e logística. A investigação poderá resultar em prisões adicionais, tanto de membros da facção quanto de outros possíveis colaboradores que não foram alcançados pelos mandados iniciais. As autoridades também poderão focar em investigações relacionadas aos celulares e objetos que teriam sido contrabandeados, rastreando sua origem e os responsáveis pelas operações logísticas envolvidas.

Principais pontos:

• Pastor Nivaldo de Almeida, investigado por auxiliar o Comando Vermelho através de projeto religioso, morreu em Cuiabá em setembro após sofrer complicações de câncer

• A Operação Fariseus, deflagrada em julho, apontava que a família de missionários utilizava sua atuação em presídios para entregar celulares e outros itens proibidos a detentos da facção

• Os investigados respondiam por organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro, com a filha presa preventivamente

• Videochamadas entre mulheres do projeto religioso e membros da facção, incluindo vídeo de líder foragido durante disparos de fuzil em comunidade, foram apresentadas como provas

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 Mato Grosso — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mato Grosso.

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