Onda de calor mata mais que pico da covid-19 em região da Bélgica
Mais de 16.000 pessoas morreram em uma única semana durante a onda de calor na Europa no final de junho. Em uma região da Bélgica, o número diário de mortes por conta do calor superou as mortes registradas por covid-19. A informação foi publicada pelo jornal norte-americano New York Post.
Valônia, no sul da Bélgica, registrou 313 mortes somente em 28 de junho. O número superou as 245 mortes diárias no pico da pandemia de covid-19, em novembro de 2020.
A região teve mortalidade 77% acima do esperado entre meados de junho e o início de julho. As temperaturas ultrapassaram os 38°C, e alguns hospitais ficaram sobrecarregados.
Idosos concentraram cerca de 85% das mortes em excesso em Valônia. Pessoas de baixa renda, com 65 anos ou mais e que viviam sozinhas, enfrentaram maior risco, indicam dados oficiais.
Metade dos pronto-socorros dos hospitais da região não tem ar-condicionado. Philippe Devos, diretor de uma federação de prestadores de saúde, informou que unidades ficaram lotadas durante a onda de calor.
Chamadas para os serviços de emergência chegaram a levar dez minutos para ser atendidas. Pacientes esperavam nos corredores de centros de saúde lotados. "Cada crise está se tornando cada vez mais grave. É isso que não estamos conseguindo prever", disse Yves Coppieters, ministro regional da Saúde da Valônia.
Apenas 20% das casas europeias têm ar-condicionado, em comparação aos 90% das residências nos EUA. Na França, Alemanha e Reino Unido, a proporção varia entre 4% e 6%.
O governo regional não prevê ampliar o uso do equipamento de forma generalizada. Uma porta-voz do ministro de Habitação e Energia de Valônia afirmou que ele pode ser adequado para pessoas vulneráveis ou determinados prédios.
Autoridades belgas temem pressão sobre a rede elétrica e maior aquecimento das cidades. A região avalia criar mais espaços de resfriamento e estimular reformas em moradias.
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