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Saúde

Não basta digitalizar o SUS. É preciso repensar como o paciente circula por ele – por Bernardo Caron e Paola Caron

Futuro da Saúde ·

A transformação digital da saúde brasileira deixou de ser uma possibilidade futura para se tornar uma necessidade presente.

Entre as propostas que ganham espaço no debate sobre o futuro do SUS estão a ampliação da saúde digital, o uso de inteligência artificial e a integração dos prontuários.

É um movimento necessário.

Fazer com que dados clínicos acompanhem o paciente, com segurança e respeito à legislação de proteção de dados, pode melhorar a continuidade do cuidado, evitar desperdícios e contribuir para decisões médicas mais seguras.

Mas essa discussão me provoca uma pergunta anterior: Se estamos construindo um sistema no qual a informação poderá circular, por que ainda é tão difícil fazer o próprio paciente circular? O SUS nasceu sob o princípio da universalidade e, por razões legítimas de organização e planejamento, estruturou-se de maneira regionalizada e hierarquizada.

Na prática, porém, essa lógica pode criar barreiras difíceis de explicar para quem está na ponta.

Um paciente pode morar próximo de um hospital, precisar de um serviço que aquela instituição oferece e encontrar ali capacidade técnica para recebê-lo.

Ainda assim, dependendo da pactuação regional e dos fluxos de regulação, aquele hospital pode não ser a referência prevista para seu município.

Não se trata de questionar a necessidade da regionalização.

Um sistema da dimensão do SUS precisa organizar fluxos, prioridades e recursos.

Mas, se a tecnologia permitirá integrar informações em escala nacional, não deveríamos utilizá-la também para tornar mais inteligente a relação entre oferta e demanda? A tecnologia pode nos ajudar a saber onde existe capacidade assistencial, quem consegue realizar determinado procedimento e onde o paciente poderá ser atendido em menor tempo.

Talvez a lógica de acesso também precise evoluir na mesma velocidade que a digitalização.

E existe uma segunda questão fundamental: quem financiará essa transformação? Hospitais que atendem majoritariamente o SUS convivem há anos com uma distância importante entre o custo real da assistência e a remuneração pública recebida.

Ao mesmo tempo, aumentam as exigências assistenciais, sanitárias, estruturais, tecnológicas, ambientais, de segurança da informação e proteção de dados, muitas delas necessárias, mas todas com impacto financeiro.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.

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