Vitória e classificação não escondem o pobre futebol de um rico Palmeiras
Para quem se contenta com pouco — ou seja, com uma classificação diante de um oponente muito inferior —, a vaga obtida pelo Palmeiras para a próxima fase da Libertadores basta. Mas qualquer pessoa com o mínimo de espírito crítico não verá como suficiente o pobre futebol desse rico time ante o Cerro Porteño.
Quando o jogo foi interrompido aos 25 minutos da etapa inicial (pausa para reidratação), o time paraguaio tinha mais posse de bola (53%), mais passes trocados (91 a 81) e a melhor chance da peleja até então: Gamarra cabeceou e Ramírez mandou sobre o travessão.
Os chutões de Carlos Miguel e a dificuldade palmeirense em se impor colocando a bola no chão eram evidentes. Mesmo com jogadores tecnicamente inferiores, o conjunto comandado pelo argentino Ariel Holan tentava trabalhar melhor a pelota do que o campeão paulista.
Isolado, Vitor Roque, quando acionado, era obrigado a duelar com dois ou mais adversários. A bola costumava chegar ao camisa 9 em lançamentos, raramente em jogadas bem elaboradas e construídas. Vida difícil para o centroavante.
A primeira boa chance palmeirense veio aos 40 minutos, quando Arias construiu pela direita e Evangelista chutou com perigo. Escanteio. Na cobrança do colombiano, Gustavo Gómez, de cabeça, voltou a marcar, assim como fizera diante do Fluminense no Maracanã: Palmeiras 1 a 0.
No segundo tempo, o time da casa continuou com mais tempo de posse de bola, mas o Palmeiras finalizava mais. Pobre tecnicamente, o Cerro criava pouco e tinha grande dificuldade para chegar com perigo à área do time brasileiro.
Assim, a equipe local chegou à pausa para reidratação sem criar uma única boa oportunidade após o intervalo e com apenas uma finalização no período. Os palmeirenses conduziam o jogo a seu jeito, aproximando-se naturalmente da vaga.
Jogo fraco, futebol pobre de ambos os lados. O time rico, mesmo se nivelando por baixo a um adversário inferior, chega às quartas de final da Copa Libertadores graças a mais um gol de cabeça de seu capitão. Valeu pela classificação, mas o futebol segue aquém — muito aquém.
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