'Colegas' ganha sequência com elenco neurodivergente ampliado e mais aventura: 'Estava com saudade'
Treze anos atrás, um grupo de atores com síndrome de Down virou notícia em jornais e capas de revista ao protagonizar Colegas , comédia que levaria o Kikito de Ouro em Gramado e se tornaria uma espécie de marco silencioso do cinema inclusivo — não só no Brasil, mas em festivais de Moscou a Trieste. Passado todo esse tempo, o diretor Marcelo Galvão resolveu que não bastava repetir a fórmula. Em Colegas e o Herdeiro , que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 13, o time de atores com deficiência intelectual se multiplicou: agora são mais de 70 pessoas em cena, entre elas atores no espectro autista e com síndrome de Williams , ao lado dos já conhecidos personagens com síndrome de Down.
A ideia não nasceu de um cálculo de mercado, mas de conversas soltas em turnês de divulgação. "Eu conheci muita mãe de garota autista que falava: 'cara, adorei teu filme, mas eu queria que você fizesse um filme com autista'", lembra Galvão, ao Estadão . O problema é que ele não tinha nenhuma bagagem no assunto. "Então eu estudei bastante, vi filmes, criei várias amizades com autistas."
O resultado é um roteiro que embarca um grupo de colegas em fuga clandestina do instituto onde vivem, atravessando fronteiras num avião de carga rumo a Punta del Este para reencontrar o amigo Stallone — que, no Uruguai, disputa a herança de um hotel e, sem querer, acaba cruzando o caminho de contrabandistas de pedras preciosas.
Se o primeiro Colegas tinha um verniz mais autoral, quase de cinema de festival, a sequência assume outro registro: mais aventura, mais humor, mais perseguição — e uma fotografia simétrica que remete abertamente a Wes Anderson . "Eu estudei bastante os filmes dele, tentando fazer uma coisa que fosse ao mesmo tempo divertida e também tivesse um pouco de bom gosto", explica o diretor. "Acho que é uma forma gostosa de contar uma história."
Câmera parada, enquadramentos angulares, poucos movimentos bruscos: a receita, segundo ele, deu ao filme uma sensação de grandiosidade mesmo com um orçamento menor do que o do original. É um detalhe que soa quase irônico, considerando o sucesso de bilheteria que Colegas fez em 2012.
Para Ariel Goldenberg, que retoma o papel de Stallone 13 anos depois, o retorno às telas tem gosto de superação. "O que mudou a minha vida nisso tudo foi a resistência", resume o ator, agradecendo a Galvão pela chance de repetir a experiência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.