Moraes diz que relatório de André Mendonça foi feito com auxílio de “órgão estrangeiro” para interferir nas eleições
O ministro Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de ter produzido, com auxílio de um “órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, um relatório de inteligência usado para tentar incriminá-lo e que, segundo sua manifestação, representaria uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.
A acusação está na petição apresentada por Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual ele contesta a investigação determinada por Mendonça sobre ele no caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo financeiro da História do pais.
Segundo Moraes, os metadados do documento indicariam que o relatório não foi produzido integralmente dentro da Polícia Federal e que sua elaboração teria contado com auxílio externo.
A manifestação foi protocolada na noite desta segunda-feira (14), na véspera da sessão extraordinária do Plenário do STF marcada para as 10h desta terça-feira (15), quando os ministros analisam a Petição 16.662, relatada por Mendonça.
O julgamento envolve o parecer da Procuradoria-Geral da República pela nulidade da investigação determinada pelo ministro e pela extinção do procedimento contra Moraes.
Moraes afirma que houve “total quebra da cadeia de custódia” e sustenta que o relatório não teria sido realizado integralmente na PF.
Na sequência, escreve que o documento teria sido produzido “com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, associando o episódio a uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras de 2026.
“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”, diz Moraes no item 51 dos 121 listados no documento.
No item 54, Moraes afirma que a decisão de Mendonça, de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF) foi “comemorada” por “autoridades estrangeiras” e lembra as pressões de Eduardo Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre o governo Donald Trump para levantar sanções contra o Brasil.
“Há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do Diretor da PF, que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório.
Não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitski”.
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