O que separava e o que unia Gloria Menezes e Laura Cardoso
Em um espaço de algumas horas, a teledramaturgia brasileira perdeu dois de seus alicerces: Laura Cardoso, aos 98 anos, e Gloria Menezes, 91, praticamente fundaram o ofício de “atrizes de telenovelas” no país, muito antes da popularização do gênero.
Gloria fez Rainha da Sucata (1990), Irmãos Coragem (1970), Pai herói (1979), Guerra dos sexos (1983), entre outras novelas.
Laura deu vida a personagens em Chocolate com Pimenta (2003), Mulheres de Areia (1993), A viagem (1994), Gabriela (2012), Caminho das índias (2009) e uma reticências de outros tantos.
Em comum, impregnaram o imaginário popular com mulheres fortes, de fibra, com nuances únicas que seus autores lhes permitiram criar sob a observação das ruas. (Agora a coluna GENTE também está no Instagram.
Siga o perfil @veja.gente ) Contadoras de história numa época pré-redes sociais, engajaram multidões.
Sem precisar abrir mão de suas convicções, polarizaram o país na torcida por suas mocinhas a vilãs.
Quando as novelas brasileiras ainda paravam o Brasil e lotavam estádios para exibirem seus últimos capítulos, Gloria e Laura foram popstar’s de um enredo que conta a própria história da televisão.
Continua após a publicidade O que as unia (a paixão pelos palcos e telas) também as separava.
Gloria fez mais dondocas e milionárias, Laura foi escalada para muitos papéis de mulheres menos abastadas.
Sem saberem, estavam escrevendo capítulo a capítulo a memória afetiva que todos nós temos com a ficção.
Fazendo-nos amar suas heroínas ou odiar suas antagonistas, firmaram um pacto com todo brasileiro.
Gloria e Laura se despedem dos palcos da vida da mesma maneira.
Como aquelas personagens que se dirigem ao fundo do palco enquanto as luzes vão se apagando, bem aos poucos, aos pouquinhos, sem nem nos darmos conta.
As luzes se apagando e os aplausos aumentando.
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