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Empresas projetam perdas com efeitos do El Niño, mas algumas veem ganhos

Folha de S.Paulo ·

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O El Niño , fenômeno de aquecimento atípico das águas do oceano Pacífico , tem embaralhado padrões de clima e elevado temperaturas em todo o globo desde junho –e algumas empresas do Ibovespa começaram a antever quais poderão ser suas principais vulnerabilidades aos eventos climáticos. Outras, porém, enxergam oportunidades para suas operações.

De acordo com levantamento feito pela Folha com as 76 companhias listadas no principal índice da Bolsa, a expectativa para o primeiro grupo é que o super El Niño traga riscos de crédito e calotes no setor rural, aumente sinistralidades, quebre safras agrícolas e crie gastos adicionais com logística. Os dados levam em conta o conteúdo das teleconferências de resultados do segundo trimestre deste ano.

Para o outro grupo, o calor pode ser um trunfo de vendas. Empresas como Magazine Luiza e Assaí analisaram como os termômetros nas alturas podem influenciar o comportamento do consumidor e catalisar vendas de segmentos específicos.

"O calor faz muita diferença para nós. A linha de ar-condicionado e ventilação vende muito e mexe muito o ponteiro, assim como a categoria de refrigeração, que é a que vende mais na companhia. No calor, vendemos muito", afirmou Fabrício Garcia, vice-presidente de operações da Magazine Luiza, na teleconferência do início do mês.

"Estamos bem programados, bem planejados com os fornecedores, e já começamos a receber os itens."

A indústria de climatização, como mostrou a Folha , tem se mobilizado diante da perspectiva de um dos El Niños mais fortes de todos os tempos. Varejistas antecipam encomendas e fabricantes reforçam estoques, atentos a uma demanda que pode disparar no verão. A previsão da Abrava, associação que representa o setor, é que o faturamento chegue a R$ 55,62 bilhões neste ano, alta de 10% ante 2025.

Especialmente para o brasileiro, o calor também impulsiona outro mercado: o de bebidas. Carlos Lisboa, CEO da Ambev, afirmou que a empresa se amparou na experiência do El Niño de 2024 para embasar estratégias para os próximos trimestres.

"O ano de 2024 ilustrou que temperaturas mais altas podem, sim, influenciar a demanda", afirmou. No balanço daquele ano, a Ambev reportou que a receita líquida de cerveja no Brasil somou R$ 40,22 bilhões, alta de 3,2% em relação a 2023.

A previsão, segundo a Bloomberg, é que essa cifra encerre 2026 em R$ 43,4 bilhões, avanço de quase 8% ante 2025, também impulsionado pelo consumo durante a Copa do Mundo.

Já o Assaí vê que as margens podem aumentar diante da possível volatilidade nos preços das commodities, de efeito direto na inflação de alimentos.

"A capacidade de repassar preços, ela vai ocorrer.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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