“Hepatites D e E circulam no Brasil, preocupam pesquisadores”
Pesquisa inédita revela que as hepatites D e E, muitas vezes negligenciadas, circulam expressivamente no Brasil e podem causar complicações sérias, apesar da subnotificação.
Um estudo liderado por pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein analisou dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, traçando um panorama preocupante sobre a presença dessas infecções virais em diferentes regiões do país.
As hepatites D e E estão presentes no Brasil, com prevalências que chegam a 20% na Amazônia para o tipo D e a 59% no Sul para o tipo E, indicando um cenário subestimado.
A infecção por hepatite D é particularmente grave, pois depende do vírus B e é mais comum em regiões como a Amazônia, afetando populações isoladas.
A hepatite E, transmitida por água e alimentos contaminados e presente em animais, ainda é pouco testada, apesar de causar lesões hepáticas graves em muitos casos.
A revisão de 200 estudos, publicada na revista PLOS One em julho, faz parte do projeto “Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas”.
Desenvolvido pelo Einstein no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a iniciativa visa contribuir para a meta de eliminação das hepatites virais no país.
Considerando trabalhos realizados entre 2013 e 2024, a pesquisa mostra que a frequência das hepatites D e E pode ser expressiva em determinados grupos e localidades.
Em alguns estudos, a prevalência da hepatite D, também conhecida como Delta, ultrapassou 20% na região amazônica.
Já a hepatite E apresentou índices de até 59% em levantamentos realizados no Sul.
Mais do que apontar diferenças entre regiões, os dados revelam que essas duas formas da doença podem estar passando despercebidas.
“A pesquisa nos alerta para a presença dessas sorologias incomuns que podem não estar sendo diagnosticadas corretamente por não estarem no radar de nossa prática clínica”, avalia o patologista João Renato Rebello Pinho, coordenador do estudo.
Segundo Pinho, é fundamental atentar-se também para essas formas de hepatite menos conhecidas.
“Apenas assim conseguiremos de fato eliminar essas infecções virais aqui do Brasil”, destaca o especialista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em istoe.com.br — o conteúdo pertence a IstoÉ.