Missão da ONU vê indícios de crimes de guerra dos EUA no Irã
Uma missão de investigação da ONU sobre o Irã afirmou nesta quinta-feira (17) haver motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos foram responsáveis por dois ataques militares contra uma escola e uma instalação esportiva no Irã em fevereiro, e que os episódios constituíram crimes de guerra.
A missão também concluiu que autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão a protestos antigovernamentais que deixou centenas de mortos.
As conclusões estão em um novo relatório da Missão Internacional Independente de Investigação sobre o Irã, que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.
O documento analisou a atuação dos EUA durante a guerra no Irã , iniciada em fevereiro, e a resposta do governo iraniano aos protestos em todo o país, que começaram no fim de dezembro.
Leia Mais Irã condena ataques dos EUA como violação do acordo provisório Países do Golfo continuam alvos do Irã enquanto EUA intensificam ataques Irã condena “violação flagrante” do cessar-fogo pelos EUA e alerta região As missões permanentes do Irã e dos Estados Unidos em Genebra não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
Autoridades americanas já afirmaram que as operações militares são realizadas de acordo com as leis dos conflitos armados, enquanto o Irã rejeita sistematicamente acusações de violações de direitos humanos.
Ataque à escola em Minab Os especialistas da ONU afirmaram ter encontrado motivos razoáveis para acreditar que forças americanas foram responsáveis por um ataque à Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, onde mais de 150 pessoas morreram, incluindo cerca de 120 crianças em idade escolar, segundo autoridades iranianas.
Imagens de satélite de 3 de março mostram extensos danos a vários edifícios na base naval da Guarda Revolucionária Islâmica, adjacente à escola feminina Shajarah Tayyebeh, em Minab • Planet Labs PBC, análise da CNN / Grafismo: Thomas Bordeaux and Rosa de Acosta, CNN A missão concluiu que o ataque foi indiscriminado, provocou mortes de civis e danos à infraestrutura civil , configurando um crime de guerra segundo o direito internacional.
De acordo com o relatório, os EUA se basearam em informações de inteligência que indicavam a presença de um alto comandante militar iraniano no local, mas não verificaram adequadamente a informação antes de realizar o ataque.
Os investigadores afirmaram que a falta de atualização das informações de inteligência usadas para definir o alvo e de confirmação de que o prédio era um objetivo militar representou mais do que mera negligência.
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