UOL revelou em 2024 elo de Milton Leite com a Transwolff
Alvo de mandado de prisão hoje por suspeita de ser o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus acusada de lavar dinheiro para o PCC, o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) teve sua ligação com a companhia revelada pelo UOL em 2024. Um contrato obtido com exclusividade mostrava que sua construtora, a Neumax , alugava um terreno à Transwolff por R$ 812 mil mensais, quase três vezes o valor de mercado.
Na mesma série, o UOL mostrou que o Ministério Público apontava um "estreito relacionamento" entre Leite e a cúpula da empresa . Revelou também que um advogado e um contador ligados ao político prepararam a Transwolff para a licitação dos ônibus da capital. Leite nega as suspeitas e diz que vai se apresentar às autoridades.
A decisão do TJ-SP que autorizou a prisão afirma que Leite seria o dono de fato da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para a facção. Ele nega e diz que vai se apresentar às autoridades. Relembre o que mostraram as reportagens.
Em setembro de 2024, o UOL revelou com exclusividade que a Neumax, construtora de Milton Leite e de seus filhos, recebia pagamentos mensais da Transwolff. Os filhos são o deputado estadual Milton Leite Filho e o deputado federal Alexandre Leite.
Os valores. O contrato de aluguel de um conjunto industrial e de um terreno na Capela do Socorro, zona sul da capital, previa R$ 812 mil por mês, quase três vezes o valor considerado de mercado, estimado em cerca de R$ 290 mil com base no valor venal dos imóveis. Pelos valores do contrato, a Transwolff teria pago cerca de R$ 20 milhões à construtora até agosto de 2024.
Os signatários. O documento é assinado por Milton Leite e por Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da Transwolff e acusado de integrar o PCC. Pandora também aparecia como fiador. No local, a reportagem encontrou uma das maiores garagens da empresa.
Outros pagamentos. Um relatório de auditoria independente citava a Neumax como uma das "principais fornecedoras" da Transwolff entre 2021 e 2022, com outros R$ 2 milhões recebidos.
O documento contradizia a versão do vereador, que sempre negou manter negócios com a empresa. Na ocasião, Leite afirmou que o contrato "nunca teve validade", que tratava de uma ampliação da área que não ocorreu e que o valor recebido era "muito inferior" ao publicado, sem informar quanto.
Em julho de 2024, o UOL teve acesso exclusivo a mais de mil páginas de documentos do Gaeco, o grupo do MP-SP que combate o crime organizado. Os documentos eram da Operação Fim da Linha, que investigava a Transwolff por lavagem de dinheiro para o PCC. Neles, os promotores apontavam um "estreito relacionamento" e indícios de uma "relação de apoio" entre Leite e a empresa. O vereador era tratado como "alvo" e teve os sigilos fiscal e bancário quebrados com autorização da Justiça.
A reportagem também mostrou que, em uma denúncia de 2006 à Polícia Civil, um cooperado apontou Leite como o comando de fato da Cooperpam.
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