Dino tira sigilo de decisões sobre MA: corrupção, obstrução e PF infiltrado
O ministro Flávio Dino, do Supremo, retirou o sigilo de três decisões que dão mais detalhes sobre o esquema de corrupção sob investigação no Maranhão, que vão de obstrução de Justiça a desvio de emendas e contratos e assassinato.
Uma das decisões aponta a atuação do senador Wewerton Rocha (PDT-MA) para, segundo a Polícia Federal, travar o andamento da apuração do assassinato de um empresário maranhense em 2022 no Superior Tribunal de Justiça. A PF registra diálogos entre o parlamentar e o ministro Humberto Martins, que relatava o caso na corte e foi alvo de queixa pela família do autor do assassinato no Supremo.
Os despachos ainda revelam que a PF teve de cortar a própria carne para avançar com a apuração, afastando um agente que, supostamente, atuava para a "organização criminosa" sob investigação. Ele chegou a visitar o autor do assassinato e seus familiares.
Um dos despachos detalha ainda o que seria o mega esquema de corrupção envolvendo empresários e políticos do Estado, que teria levado inclusive ao homicídio. A PF aponta uma sequência de fraudes em licitação, desvios de contratos públicos e emendas parlamentares em benefício do grupo vinculado ao atual governador do Maranhão, Carlos Brandão. Em apenas um dos casos, os valores movimentados ultrapassam R$14 milhões.
"Segundo a autoridade policial, o referido homicídio decorreu de desavença no pagamento de contratos públicos e propinas, levando à prática de outros crimes, inclusive a suposta 'compra' de vagas e nomeações no Tribunal de Contas daquele estado, a fim de obtenção de impunidade a partícipes do agrupamento criminoso", registra o ministro em um dos despachos.
"Nesse passo, na visão dos trabalhos policiais, o homicídio praticado em 2022, derivado de atos de corrupção, levou a vacâncias e nomeações no Tribunal de Contas do Estado e a sucessivos atos tendentes a impedir ou embaraçar as investigações e a atuação do Poder Judiciário, abrangendo a Justiça do Estado, o STJ e este STF."
O grupo político e empresarial sob investigação no Supremo contaria com o apoio de um policial federal que foi afastado do cargo pelo Supremo. "No curso das investigações, identificou-se que o agente de Polícia Federal Edvar Rodrigues dos Santos estabeleceu contatos reiterados e não autorizados com o pai do investigado preso [por homicídio] em Brasília/DF e pessoa diretamente vinculada a investigação sigilosa em tramitação nesta Polícia Federal, referente a suposto esquema de obstrução à colaboração com o inquérito em curso neste Supremo Tribunal Federal", resgistra a própria PF.
Como mostrou a coluna, um mega esquema de corrupção via emendas parlamentares e fraudes em licitação está no centro da investigação do assassinato de um empresário maranhense que tramita no gabinete do ministro Flávio Dino, do Supremo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.