BC reduz juros de novo e dá sinal 'silencioso' de que cortes continuam
Que o Copom (Comitê de Política Monetária) iria decidir, na reunião de setembro, por mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (taxa Selic) era aposta mais do que unânime. Pela quinta vez consecutiva, os juros básicos recuaram, totalizando 1,25 ponto desde março, e agora baixaram para 13,75% nominais ao ano.
Não há consenso tão amplo em relação ao que o colegiado que reúne o presidente e os diretores do Banco Central decidirá daqui para frente sobre a política de juros.
No Boletim Focus, publicação semanal do próprio BC com a mediana das projeções de analistas principalmente do mercado financeiro, por exemplo, a previsão mais recente, da segunda-feira (14), é de que, para 2026, o ciclo de cortes se encerrou.
Mas os termos e o tom do comunicado divulgado logo após o encerramento do Copom desta quarta-feira (16) fizeram com que aumentassem as fichas em uma extensão do ciclo de cortes para a reunião do início de novembro, exatos dez dias depois do possível segundo turno das eleições presidenciais, e até mesmo para a de dezembro.
Essa aposta na continuidade dos cortes não foi mais uma vez fornecida em termos claros pelo comunicado, no qual é informado que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações".
A senha para a construção dessa expectativa veio do fato incomum de um comunicado praticamente idêntico ao do Copom anterior, de agosto, quando a decisão também foi por um corte de 0,25 ponto. A repetição quase idêntica dos textos foi interpretada como um sinal "silencioso" de que os cortes continuam.
Se os comunicados do Copom costumam repetir parágrafos dos anteriores, é mais raro que essa repetição seja quase total, como agora em setembro. A repetição quase literal do comunicado de agosto em setembro chamou a atenção e deu a entender a não poucos que, se as condições econômicas, expressas por um ritmo mais lento da atividade e por uma tendência de alívio nas pressões inflacionárias, permanecem as mesmas, uma consequência natural seria a decisão por novos cortes à frente.
Sutis alterações inseridas no comunicado de setembro reforçaram a expectativa de que o "ciclo de calibração" -- expressão do "coponês", o idioma cifrado e cheio de iniciativas em que os documentos do BC são escritos, que designa a continuidade de cortes na Selic -- terá prosseguimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.