quinta-feira, 17 de setembro de 2026 📬 Resumo no TelegramPortaisSobre🌓
🇧🇷 BR ▾
ÚLTIMAS
Economia

Super El Niño e 'IA assassina': preparado para o fim do mundo?

UOL Economia ·
Super El Niño e 'IA assassina': preparado para o fim do mundo?

No filme "A Última Casa", o personagem de Wagner Moura e sua família acordam um dia e descobrem que não conseguem mais sair de casa. Uma chuva misteriosa começa a cair, e uma força invisível sela as portas e as janelas. Conforme o tempo passa, os recursos vão minguando e o medo vai crescendo. O longa da Netflix traz uma pergunta: o que você deve fazer quando o mundo lá fora vira uma ameaça e a única reação possível parece ser se trancar? Pergunto porque, nos últimos dias, essa cena deixou de ser ficção para o brasileiro, principalmente para quem vive nas regiões Sul e Sudeste.

Os números confirmam a sensação: em apenas 14 dias, setembro de 2026 se tornou o setembro mais chuvoso já registrado em São Paulo desde o início das medições, em 1943. E, segundo os meteorologistas, é só um aperitivo: calcula-se mais de 90% de chance de um El Niño "muito forte" virando 2027, com risco real de ser o mais intenso desde 1950.

Some o resto do cardápio: uma eleição presidencial chegando sem quase nenhum debate de verdade, guerras que não saem da tela e, para completar, a manchete que circulou há poucos dias: um pesquisador de uma das maiores empresas de inteligência artificial teria dito que a IA pode matar toda a humanidade em dez anos.

Dá vontade de fechar a cortina, como a família do filme, e esperar passar. Mas talvez valha entender o que está acontecendo: não lá fora, na tempestade; e sim aqui dentro, na nossa cabeça.

Em 2009, o pensador britânico Mark Fisher descreveu um estado de espírito que parece escrito para o Brasil encharcado de 2026. Ele o chamou de "impotência reflexiva": saber que as coisas vão mal e, ao mesmo tempo, sentir que não há nada que a gente possa fazer a respeito. É a fotografia do momento. Diante do fim do mundo anunciado a cada notificação, a reação não é agir, mas buscar mais um estímulo para não sentir. A gente lê a manchete apocalíptica e, na mesma tela, no mesmo polegar, pede o delivery, ri do meme, compra a bugiganga que apareceu no feed.

É a família do filme diante da tempestade: sem poder mudar o que está lá fora, resta se distrair lá dentro até os mantimentos acabarem. Fisher dá a esse comportamento o nome de "hedonia depressiva".

No livro "A Sobrevivência dos Mais Ricos", o pensador americano Douglas Rushkoff conta que foi levado a um resort isolado no deserto para uma conversa privada com cinco bilionários da tecnologia. O assunto? Como sobreviver ao "Evento": o colapso da civilização, que eles davam como certo.

Queriam saber se seria mais seguro se refugiar no Alasca ou na Nova Zelândia, quantos suprimentos estocar e, o detalhe mais revelador, como impedir que os próprios seguranças se voltassem contra eles no dia em que o dinheiro não valesse mais nada.

Olha então que curioso: os donos das mesmas empresas cujos pesquisadores anunciam que "a IA pode nos matar em dez anos" acreditam no apocalipse muito mais do que deixam transparecer, a ponto de construir bunkers e comprar ilhas. O pânico que chega até nós, e que nos paralisa na cama num domingo chuvoso, é, para eles, um item de planejamento estratégico.

Ler a notícia completa no UOL Economia ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

Mais de UOL Economia

Ver tudo ›

Mais em Economia

Ver tudo ›