Joaquim Cerqueira Gonçalves: nome maior da Filosofia
No dia 22 de Agosto de 2026, fui surpreendido por um colega com a seguinte mensagem no meu telemóvel: « Bem hajas, querido Amigo! Mas mais ricos com a graça de Deus que foi o absoluto da sua presença íntegra, sem compromissos com a maldade e a mediocridade, sobretudo a académica, que acabou por vencer. Temo o futuro do mundo de que Deus retirou o Pe. Cerqueira… O que se segue depois de Lot sair do antro? Deus o tem no verdadeiro esplendor onto-ecológico da sua infinita criadora misericórdia! Foi um enorme prazer este tempo de mais de trinta anos de co-presença com JCG! »
O Padre Joaquim Cerqueira Gonçalves foi Docente da Universidade Católica Portuguesa, muito contribuindo para a consolidação do Curso de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas e para o desenvolvimento da investigação científica nesta área, tendo também sido Presidente da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. Foi Diretor do Instituto de Coordenação da Investigação Científica da FCH da Universidade Católica Portuguesa (ICIC), de que fui seu assessor, e membro do seu Centro de Estudos de Filosofia (CEFi), de que fui seu aprendiz e colega. Era um sábio, um mestre do diálogo e da valorização generosa das graças de cada um, impedindo o desenvolvimento de condições para o aparecimento da inveja e da injustiça.
Acrescentaria a nota biográfica registada na Academia das Ciências de Lisboa: «Membro da Ordem Franciscana e sacerdote, Licenciado em Filosofia Escolástica (Instituto Católico de Tolosa, França), licenciado e doutorado em Filosofia (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), Professor Catedrático da Universidade de Lisboa, onde lecionou, docente da Universidade Católica Portuguesa, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Fundador e Diretor do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, autor de “Homem e Mundo em São Boaventura”, “Humanismo Medieval», “Itinerâncias de Escrita” (3 Volumes), condecorado com a Ordem de Instrução Pública, Grã-Cruz, Presidente da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, Diretor do Instituto de Coordenação Científica da Universidade Católica Portuguesa (ICIC)».
Com o seu colega Francisco da Gama Caeiro, promoveu durante décadas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma convivência filosófica contra a cisão esquizofrénica entre o discurso e a vida, as ideias e a ação, e implementou no plano curricular da área científica de filosofia a unidade de História da Filosofia em Portugal, contribuindo decisivamente para a valorização nacional desta vertente de investigação. Lamentamos que este espírito da valorização critica académica da cultura portuguesa e dos seus movimentos filosófico-literários, num registo de harmonia entre o rigor lógico da análise cientificista e o excesso afetivo e imaginativo da linguagem natural analógico-metafórica, esteja a ser substituído pelas novas tendências analíticas importadas do mundo anglo-saxónico. A coabitação seria enriquecedora, a substituição é empobrecedora.
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