Síria confirma conversações com Israel para aliviar tensões após ataques
U ma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio citada pela agência oficial Sana afirmou que as delegações síria e israelita reuniram-se para conversações patrocinadas pelos Estados Unidos na Jordânia, "no âmbito dos esforços para uma desescalada após o recente bombardeamento israelita do território sírio".
As discussões incidiram também sobre "os esforços para aproximar os pontos de vista entre a Turquia e Israel e garantir que as tensões atuais entre os dois países não se repercutam no território sírio", sublinhou a mesma fonte anónima.
Anteriormente as agências internacionais avançaram que o líder do serviço de informações externas de Israel (Mossad), Roman Goffman, reuniu-se com o chefe da diplomacia de Damasco, Assad al-Sheibani.
O encontro foi também confirmado por vários órgãos de comunicação social israelitas, citando fontes próximas, mas sem detalhes sobre o local ou conteúdo das discussões, exceto que "correram bem".
Segundo a Sana, as conversações de hoje visam pôr fim "aos ataques, detenções e assassinatos seletivos por parte de Israel" e procuram igualmente "alcançar um acordo de segurança que possa constituir a base para um futuro acordo de maior alcance".
"A Síria reiterou ainda que os montes Golã ocupados fazem parte do território sírio e considerou que, na fase atual, é prematuro abordar o seu estatuto definitivo ou os mecanismos para o alcançar", continuou a Sana.
As forças israelitas bombardearam na terça-feira a base aérea militar síria de Abu Dhur, no nordeste do país, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou a Turquia de tentar estabelecer uma presença no local, pondo em risco a segurança do seu país.
Ancara desmentiu a presença de forças turcas na base e endureceu as críticas ao Governo chefiado por Netanyahu.
No sábado, a Síria voltou a acusar Israel de violação da sua soberania e integridade territorial, após um novo ataque atribuído ao exército israelita contra um veículo civil numa zona rural ocidental de Damasco, que fez vários feridos civis.
No seguimento do bombardeamento da base militar, o ministro da defesa israelita, Israel Katz, aconselhou o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a evitar "aventuras perigosas na Síria".
Ancara respondeu que "não cairá na armadilha" montada pelo primeiro-ministro israelita.
Este episódio é uma fonte de tensão adicional entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sobre a condução das várias frentes de conflito de Israel no Médio Oriente, e que colocam em causa os esforços de paz de Washington com o Irão, mas também a sua mediação no Líbano e na Faixa de Gaza.
O enviado norte-americano para a Síria, Tom Barrack, sugeriu também que o ataque de Israel pode ter sido motivado por razões eleitorais, dada a proximidade das legislativas de 27 de outubro, nas quais Netanyahu tem em risco a continuidade do seu Governo, e a necessidade de o primeiro-ministro se apresentar ao seu eleitorado como um homem forte.
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