Estou farto!
Portugal subiu o salário médio para 1.835€, 5,1% de aumento, é a primeira vez em mais de 10 anos que estabilizou a compressão entre salário mínimo e médio, aumentou o número de empregados, com uma criação líquida de emprego na ordem dos 100.000 postos de trabalho no último trimestre.
Somos o 5.º país que mais cresce na Europa, no primeiro semestre de 2026.
Somos, ao contrário do que nos querem fazer crer, um país de dimensão média, com recursos e parte do terço superior dos países com maior PIB per capita a nível mundial.
E os comentadores deste país não encontraram uma única novidade no discurso do primeiro-ministro no Pontal.
Porque o discurso não falou das coisas que enchem os seus programas e que são sempre relacionadas com as pequenas falhas pessoais de personalidades envolvidas no governo e que não merecem ser sequer discutidas na praça pública.
Se um membro do governo não cumpriu com as suas obrigações enquanto cidadão, é à justiça que compete avaliar esse comportamento e não a uma multidão de comentadores que deviam estar a escrutinar o seu trabalho como membro do governo e a criticar aquilo que fez mal ou que não fez, isso sim que seria de criticar publicamente.
Ao contrário da maioria desses comentadores, não foi na cor das cuecas do ministro que eu encontrei faltas no discurso deste fim de semana, foi sim na falta de tratar alguns temas que, apesar de terem sido já anunciados em termos de promessa, não foram apresentados como caminho de futuro.
A eficiência do sistema judicial, com o estabelecimento de um prazo para a resolução dos processos, ainda que apenas para as ações administrativas com valor inferior a 15.000€, que foi anunciado pela ministra da Justiça com um objectivo de atingir os 18 meses e que foi desafiado pelo estudo do IDL – Instituto Amaro da Costa e da CIP, para reduzir globalmente até um nível muito mais ambicioso, devia claramente ter sido abordado e, isso sim, merecia uma crítica por parte dos comentadores.
Todas as principais críticas àquelas notícias que no início mencionei referem que os dados do crescimento do PIB e da subida do salário médio não são sustentadas e podem não se tornar estruturais, têm a ver com a falta de crescimento da produtividade que é o único factor que pode assegurar um crescimento do rendimento dos portugueses e das suas famílias.
É claro que o governo tentou mexer neste tema através da mudança da legislação do trabalho e não teve o resultado que esperava, contudo, há outras possibilidades de reforçar as condições do aumento da produtividade e isso é essencial ao desenvolvimento sustentado da nossa economia.
Mas isto também não preocupou os comentadores, apenas as questões que geram bisbilhotices lhes interessam, já a qualidade de vida dos cidadãos em nada os preocupa.
E, por isso mesmo, a notícia que mais os entusiasmou na noite do discurso do Pontal foi a diferença do preço que vamos pagar pelas fragatas que comprámos, primeiro porque alguém terá perdido uma comissão, questão que não se entende em que é que pode afectar aos portugueses, a menos que ao não ser paga, possa diminuir o custo da operação, mas depois porque comparam duas realidades completamente diferentes e pre
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