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Família não é sinónimo automático de proteção

Diário de Notícias ·

Certas palavras têm o condão de servir para tudo ou quase tudo.

A palavra Família é uma delas, pois serve para vender casas, seguros, automóveis com bagageiras generosas, programas políticos e uma determinada ideia de decência.

Serve também, pelos vistos, para decidir o que deve acontecer ao corpo de uma criança violada.

Num debate televisivo recente, uma mulher que se apresenta como conservadora e defensora da família afirmou ser contra o aborto em todas as circunstâncias.

Neste contexto “Todas” é uma palavra importante.

Existe uma diferença radical entre dizer “eu nunca faria um aborto” e dizer “tu nunca poderás fazê-lo”.

A primeira frase é uma convicção, a segunda é sobre exercer poder sobre terceiros.

Antes de avançarmos para os princípios, a moral, Deus, a família e todas as palavras grandes com que gostamos de organizar o sofrimento dos outros, talvez seja melhor parar e pensar um pouco.

Uma criança é violada.

Alguém entende que a resposta moralmente correta é obrigar essa criança a prosseguir com uma gravidez.

Em nome da família, esse espaço seguro? Pois, só que não.

Entre 2022 e 2025, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima apoiou 13.039 crianças e jovens vítimas de crime e violência.

Foram registados 23.935 crimes e outras formas de violência contra eles.

A violência doméstica representou 61,7% desses casos e os crimes sexuais 31,8%.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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