Antigo líder neonazi grego sai da prisão e anuncia regresso à política
"Hoje, estou de volta. E, pelo que vejo, não estou sozinho", afirmou em frente a prisão de Domokos, na região central do país, relataram dois jornalistas da agência de notícias AFP.
Dezenas de apoiantes entusiastas, muitos deles empunhando bandeiras gregas, aguardavam a saída do antigo líder político.
O antigo deputado do Aurora Dourada (entre 2012 e 2019) e antigo porta-voz do partido, que a Justiça grega considerou uma organização criminosa, cumpriu pena de prisão, incluindo uma condenação por um homicídio cometido em 2013.
O anunciado regresso à política ocorre num contexto de ascensão da extrema-direita em vários países europeus, sobretudo na Alemanha, onde o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) acaba de vencer uma eleição regional, um feito inédito desde o fim do regime nazi.
Preso há seis anos, Kasidiaris, admirador do Terceiro Reich e do ditador grego Metaxas, tinha sido condenado em segunda instância, em março, a 13 anos de prisão efetiva, juntamente com outros dirigentes do Aurora Dourada, no final de um longo julgamento.
No entanto, concluiu o cumprimento da pena tendo em conta os dias de trabalho realizados durante a detenção, contabilizados de acordo com as disposições do código prisional grego.
Os antigos dirigentes deste partido foram considerados culpados, em segunda instância, de integrar e liderar uma organização criminosa.
Sete responsáveis, incluindo Ilias Kasidiaris, tinham sido condenados pelo espancamento de pescadores egípcios em 2012 e pelo homicídio do 'rapper' antifascista Pavlos Fyssas em 2013.
A partir da prisão, Kasidiaris nunca interrompeu as atividades políticas nas redes sociais, sobretudo no canal do YouTube, que conta com 162 mil inscritos.
Em julho, recebeu o apoio de Elon Musk, que o descreveu como a "personalidade mais proeminente do mundo". O bilionário norte-americano, que apoia grupos de extrema-direita na Europa, incluindo a AfD na Alemanha, afirmou na rede social X, em 17 de julho, que prisão de Ilias Kasidiaris era "algo completamente absurdo."
Antes de ser detido, em outubro de 2020, o antigo dirigente do Aurora Dourada tinha lançado um novo partido político, "Os Helenos", e tentado, a partir do interior da cela, apresentar a candidatura às eleições legislativas de 2023, no entanto, o Supremo Tribunal grego barrou a participação de Kasidiaris nas eleições por estar associado a antissemitismo, excessos nacionalistas e episódios de violência.
O Aurora Dourada fez uma entrada impactante no Parlamento em 2012, num clima de angústia social ligada à crise financeira na Grécia, à perda de confiança nas instituições e ao descrédito dos principais partidos políticos.
Na Grécia, a extrema-direita apresenta-se fragmentada entre vários pequenos partidos, alguns dos quais sem representação parlamentar.
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