Geopolítica mantém mercados mais voláteis e mundo “mais caro”
Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, em declarações ao Jornal Económico, diz que a rapidez com que a informação geopolítica chega aos mercados está a aumentar a pressão sobre os investidores, mas não implica necessariamente a redução do horizonte de investimento.
“Obriga-os, sobretudo, a preservar maior capacidade de adaptação”, afirmou, destacando a importância da liquidez num contexto de mudanças profundas e de subida das yields.
“Já vamos no quinto ano da guerra na Ucrânia e a Europa conseguiu, a muito custo, reduzir a sua dependência do gás russo.
Mas o abrandamento da inflação não anulou a subida acumulada dos preços, que continua a pesar no custo de vida das populações.
O encarecimento da energia, dos cereais e dos fertilizantes teve um impacto significativo, que se estendeu à indústria, aos transportes e à economia em geral” Sobre a guerra na Ucrânia, o analista considera que os efeitos já ultrapassam os mercados da energia e dos produtos agrícolas.
O aumento dos preços da energia, dos cereais e dos fertilizantes afetou a indústria, os transportes e a economia em geral, enquanto a necessidade de reforçar a defesa europeia deverá pressionar as prioridades da despesa pública.
“Essencialmente, vivemos num mundo mais fragmentado e mais caro”, diz Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
“As consequências do conflito vão, por isso, muito além da energia e dos produtos agrícolas: afetam a competitividade das empresas, as prioridades da despesa pública e o poder de compra das famílias.
Essencialmente, vivemos num mundo mais fragmentado e mais caro” Henrique Valente identifica oportunidades no reforço da defesa e na autonomia energética europeias, mas alerta que a concretização dos investimentos será gradual.
“Entre os anúncios de investimento, a contratação e o aumento efetivo da capacidade de produção, há um caminho a percorrer”, sublinhou.
“O petróleo voltou a ser um barómetro do risco geopolítico, sobretudo quando está em causa o abastecimento.
Não é fácil substituir os fluxos que atravessam o Estreito de Ormuz, equivalentes a cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.
Quanto mais prolongadas forem as perturbações, maior será o risco de inflação persistente e de menor crescimento, o que também dificulta as decisões dos bancos centrais” O petróleo, por seu lado, voltou a assumir um papel central como barómetro do risco geopolítico, sobretudo devido à importância do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.
Perturbações prolongadas poderão traduzir-se em inflação persistente e menor crescimento, reforçando, para os investidores, “a importância da diversificação e de manter liquidez para ajustar a carteira”.
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