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Quénia detém quatro suspeitos pela morte de 18 elefantes em Amboseli

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Quénia detém quatro suspeitos pela morte de 18 elefantes em Amboseli

"Q uatro suspeitos foram detidos como pessoas de interesse, e os investigadores procuram uma outra pessoa que acreditam possuir informações relevantes para o caso", explicou a ministra do Turismo e Vida Selvagem, Rebecca Miano, segundo os meios de comunicação social locais.

As detenções ocorreram após uma operação nas localidades de Tikondo e Kimana, no interior do ecossistema de Amboseli, tendo sido recuperados produtos químicos "potencialmente tóxicos e sem rótulo", que se acredita terem sido obtidos num país vizinho.

"A conservação da vida selvagem não pode limitar-se às fronteiras das áreas protegidas, uma vez que os animais selvagens circulam livremente por territórios comunitários, privados e agrícolas. Por isso, a colaboração entre organismos governamentais, comunidades, proprietários de terras, áreas de conservação e outras partes interessadas é indispensável", acrescentou a governante.

Rebecca Miano elogiou as comunidades locais de Amboseli pela "vigilância e cooperação" durante as investigações, nas quais se mostraram dispostas a "partilhar informações e apoiar a operação", demonstrando o seu papel como "parceiros indispensáveis e principais guardiões do património natural" do país.

A ministra recordou que as análises laboratoriais realizadas pelo Serviço de Vida Selvagem do Quénia (KWS, na sigla em inglês) sugerem o envenenamento por cianeto, na sequência da ingestão de tomates contaminados com pesticidas em explorações agrícolas locais.

"Estas conclusões continuam sujeitas a verificação científica adicional antes de a investigação ser considerada concluída", acrescentou.

A hipótese de envenenamento é contestada por guardas florestais e comunidades locais, que apontam para uma possível doença ainda desconhecida, argumentando que outros animais selvagens, o gado e as próprias pessoas consomem estes frutos sem que, até ao momento, tenham sido registadas outras mortes semelhantes.

Entre 1979 e 1989, o Quénia enfrentou um "declínio alarmante" da população de elefantes devido à caça furtiva para obtenção de marfim, que reduziu o número destes animais de 170.000 para 16.000 exemplares, segundo dados do KWS.

As principais ameaças aos elefantes em África são a perda de 'habitat' e a caça furtiva incentivada pela procura de marfim, sobretudo em alguns países asiáticos.

Os Estados partes na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) incluíram, em 1989, o elefante africano nos anexos da convenção e proibiram o comércio internacional de marfim, o que não impediu que a população destes animais diminuísse 60% nos últimos 50 anos.

O Parque Nacional de Amboseli, um dos mais visitados do Quénia e com uma população de cerca de 1.500 elefantes, segundo o projeto de investigação Amboseli Trust for Elephants, resistiu e conseguiu manter um crescimento constante da população desde a década de 1970.

Os elefantes morreram na reserva natural de Amboseli, no sul do Quénia, entre 24 de junho e 24 de julho. Testes preliminares detetaram uma possível substância tóxica em amostras dos animais.

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