Ébola: Papa pede resposta internacional para travar epidemia na RDCongo
"N as minhas orações, recordo frequentemente a República Democrática do Congo, em particular devido à propagação da epidemia de Ébola, que, infelizmente, está a causar muitas vítimas", afirmou hoje o líder da Igreja Católica, a partir do Vaticano, onde celebrou o Angelus.
Segundo as autoridades congolesas, um país de maioria católica, a epidemia já causou 2.557 mortos e há 5.375 casos confirmados.
"Encorajo uma resposta por parte da comunidade internacional que envolva também as comunidades locais no trabalho de prevenção, para salvar muitas vidas humanas", disse ainda o Papa.
O Governo da RDCongo elevou no sábado para 2.557 o número de mortos causados pelo atual surto, que já é o segundo mais mortífero da história a nível global e aquele que registou mais infeções neste país africano.
De acordo com o último boletim publicado pelo Ministério da Comunicação congolês, com dados recolhidos até 20 de agosto, a taxa de letalidade situa-se atualmente nos 47,6%.
Além disso, 737 doentes encontram-se em "isolamento ou hospitalizados" e 1.167 pessoas conseguiram recuperar da doença, enquanto a taxa de rastreio de contactos --- a percentagem de contactos de uma pessoa infetada localizados pelos serviços de saúde --- situa-se nos 85,5%, o que ultrapassa a meta estabelecida de 85%", pelas autoridades para tentar inverter a epidemia.
A transmissão afeta seis províncias congolesas: Ituri (epicentro do surto), Kivu do Norte, Haut-Uélé (este) e Tshopo (centro-norte), Bas-Uélé (norte) e Kivu do Sul (este).
Nos últimos dias, o país tem recebido vacinas para tentar travar a pandemia.
A vacina Ervebo, originalmente concebida contra a variante Zaire do vírus Ébola, mostrou sinais em animais de possível eficácia contra a estirpe menos comum de Bundibugyo.
Além disso, outras duas vacinas especificamente desenhadas contra a Bundibugyo estão em ensaios de fase 1 em humanos e "demonstraram ser seguras", segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora o seu desenvolvimento possa demorar vários meses.
O surto atual é também o de crescimento mais rápido desde a sua declaração em relação a qualquer surto anterior, pelo que a OMS alertou que tem potencial para atingir os números que a epidemia atingiu na África Ocidental, entre 2014 e 2016, com 11 mil mortos.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
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