Espanha desmantela redes de transporte de migrantes de Ceuta
N uma das operações foram detidas quatro pessoas, duas em Ceuta e duas em La Línea de la Concepción, na província de Cadiz, suspeitas dos crimes de pertença a organização criminosa e facilitação da imigração ilegal, disse a Polícia Nacional em comunicado.
A investigação identificou uma organização que operava entre Ceuta e La Línea de la Concepción e usava pequenas embarcações para transportar migrantes indocumentados através do estreito de Gibraltar.
A investigação começou depois de uma lancha ter sido encontrada encalhada numa zona rochosa de Benzú, em Ceuta, apresentando danos compatíveis com navegação a alta velocidade.
Segundo a polícia, a organização recorria a intermediários para recrutar migrantes, aos quais cobrava cerca de 9.000 euros pela travessia até território continental espanhol.
Antes da viagem, os migrantes eram alojados em casas, garagens ou outros locais, onde aguardavam até serem conduzidos ao ponto de encontro com a embarcação.
Já na Península Ibérica, outros elementos da rede recebiam os migrantes e encarregavam-se posteriormente de os dispersar, enquanto os pilotos das embarcações recebiam elevadas quantias pela realização das travessias.
A polícia não indicou quantos migrantes terão sido transportados pela organização.
A segunda investigação levou à detenção de um homem suspeito de ter organizado uma travessia, a 14 de agosto, na qual sete pessoas foram transportadas de Ceuta para a costa espanhola numa embarcação sem condições mínimas de segurança.
Segundo uma testemunha, o suspeito cobrava 8.000 euros por pessoa, o que lhe terá permitido obter cerca de 56.000 euros numa única travessia.
Os sete passageiros viajaram amontoados numa embarcação com cerca de cinco metros de comprimento e dois de largura, sem coletes salva-vidas, sinalização adequada ou equipamento de salvamento, apesar de alguns terem pouca ou nenhuma capacidade para nadar.
O suspeito foi colocado em prisão preventiva por um crime contra os direitos dos cidadãos estrangeiros, estando as autoridades a investigar possíveis agravantes relacionadas com o objetivo de lucro, a vulnerabilidade das vítimas e o perigo para a vida e integridade física.
As detenções ocorreram depois de cerca de 72.000 migrantes terem entrado em Ceuta nos últimos dias de julho, na maioria provenientes de Marrocos.
Ceuta, juntamente com Melilla, constitui uma das duas fronteiras terrestres entre a União Europeia (UE) e África, mas não integra o Espaço Schengen, pelo que a chegada ao enclave não permite aos migrantes deslocarem-se livremente para a Península Ibérica.
A maioria dos migrantes que entrou em Ceuta foi devolvida a Marrocos nos dias seguintes, mas vários milhares permaneceram no território, levando o Governo espanhol a anunciar a criação de centros temporários de acolhimento.
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