Presidente do Líbano quer acordo de segurança com Israel
"Não temos outra opção além das negociações, pois a alternativa é a guerra, que seria muito onerosa para nós", justificou Aoun, numa entrevista à agência francesa AFP.
Aoun vai participar na quinta-feira, em Paris, ao lado do Presidente Emmanuel Macron e do rei Abdullah II da Jordânia, numa reunião para preparar o apoio internacional ao destacamento do exército libanês em todo o território.
As tropas libanesas deverão desdobrar-se no sul após uma retirada progressiva das forças israelitas, no âmbito do acordo alcançado entre o Líbano e Israel em junho, sob mediação norte-americana.
O acordo prevê o desarmamento do movimento libanês pró-iraniano Hezbollah, que Aoun disse ser uma decisão de Beirute que "não é negociável nem objeto de debate".
Rejeitou que o objetivo seja um confronto das forças libanesas com as milícias armadas do Hezbollah, que tem representação parlamentar.
"Estamos determinados a resolver este dossiê de forma pacífica", afirmou, recusando a ideia de "construir um Estado ao preço de um conflito sangrento no Líbano ou de uma nova guerra civil".
O Hezbollah arrastou o Líbano para duas guerras sucessivas contra o vizinho Israel, a primeira em 2023, para apoiar o Hamas palestiniano, e a segunda em março passado, em apoio ao Irão.
Os dois conflitos causaram cerca de 9.000 mortos, segundo as autoridades libanesas.
Apesar de um cessar-fogo em vigor, o exército israelita continua a ocupação de uma parte do sul do Líbano e tem mantido os ataques contra alegados alvos do Hezbollah.
Aoun disse ter "sido claro com os iranianos", patrocinadores do Hezbollah.
"As vossas relações com o Líbano devem basear-se no respeito mútuo e na não-ingerência nos assuntos internos dos libaneses", declarou à AFP.
Aoun defendeu as negociações com Israel, rejeitadas pelo Hezbollah, e disse que o acordo de segurança visa "pôr fim ao estado de hostilidade e permitir o destacamento do exército [libanês] na fronteira".
"Isso poderá constituir o prelúdio para um posterior acordo de paz, mas (...) temos de avançar passo a passo", a começar pela retirada israelita, afirmou.
Perante o fim do mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) em dezembro, Aoun disse querer uma nova força no sul do país, europeia ou outra, para evitar um vazio de segurança.
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