Morgan Stanley diz que desinflação já chegou aos Estados Unidos
O Morgan Stanley, numa nota transcrita pelo Investing, referiu que os últimos dados da inflação norte-americana, divulgados a 12 de agosto, confirmaram as suas perspetivas de desinflação [redução da taxa de inflação] e alertou também que os riscos de subida da inflação se mantêm, o que pode afetar as suas projeções de taxas de juro para 2027.
Os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho norte-americano mostraram que a inflação nos Estados Unidos atingiu os 3,5%, em julho, face aos 3,4% alcançados no mês anterior, enquanto que a inflação subjacente [que exclui a energia e os alimentos devido à sua volatilidade] passou de 2,6% para 2,5%, entre junho e julho.
Os analistas da instituição bancária, liderados por Michael Gapen, referiram que a desinflação “parece ser impulsionada” pelo reembolso das tarifas, pelo alívio dos preços da energia (e por efeitos secundários limitados) e pela moderação da inflação imobiliária.
“A paciência da Reserva Federal norte-americana ( Fed ) continua a ser o cenário base: uma inflação mais baixa, juntamente com o arrefecimento do emprego e do crescimento dos salários, deverá permitir à Fed manter a taxa inalterada até ao final do ano”, disse a nota transcrita pelo Investing.
É ainda referido que após incorporar os dados do PPI [índice de preços no produtor] de julho, se projeta “uma inflação subjacente de 0,23% e uma inflação geral de 0,14% para julho, representando variações anuais de 3,27% e 3,64%”.
É ainda dito que se “a inflação seguir a projeção base [da instituição], com a inflação subjacente a descer para 3,0%, em termos homólogos, em dezembro, e 2,4% no final de 2027, então prevemos que a Fed mantenha a sua taxa de juro diretora inalterada este ano e reduza-a em 50 pontos base no próximo ano (com cortes de 25 pontos base em março e junho)”.
A nota refere que os riscos para a perspetiva de política monetária “estão inclinados para cima”.
A projeção está a assumir uma “recuperação completa dos recentes choques de oferta, sem o surgimento de um novo choque”, e supõe ainda “pressões inflacionistas limitadas” relacionadas com a procura por inteligência artificial (IA).
“Uma ou ambas estas premissas podem estar erradas”. acrescenta.
“Talvez a inflação diminua até 2027, mas não o suficiente para justificar cortes no próximo ano.
Nesse caso, a Fed manterá as taxas inalteradas até ao final do nosso horizonte de projeção.
Em alternativa, talvez a recente desinflação seja apenas um soluço e a inflação não diminua ainda mais, ou até se fortaleça, levando a aumentos de 50 a 75 pontos base nas taxas para reverter os cortes de juros do ano passado, realizados por questões de gestão de risco”, sublinha.
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