Escolher a Euribor a 12 meses em vez da de três custa 37 euros por mês na prestação
Na negociação de um crédito à habitação , quase toda a atenção do comprador vai para o spread.
É o número que aparece nas campanhas, é o que se compara entre bancos e é o único que dá a sensação de ter sido conquistado.
O prazo de revisão do indexante, que aparece na mesma página do contrato, costuma ser decidido em segundos e sem discussão.
É um erro de alocação de esforço, porque neste momento a segunda escolha vale mais dinheiro do que a primeira.
As taxas EURIBOR estão hoje claramente separadas por prazo.
A três meses situa-se em torno de 2,475%, a seis meses em 2,662% e a doze meses em 2,905%.
A curva está inclinada, o que significa que quem fixa por mais tempo paga hoje mais caro por essa previsibilidade.
Num empréstimo de 150 mil euros, com um spread de 1% e prazo de trinta anos, a prestação inicial fica em cerca de 667 euros com revisão a três meses, 686 euros com revisão a seis meses e 704 euros com revisão a doze.
São 37 euros de diferença entre os dois extremos, todos os meses, pela mesma casa e pelo mesmo banco.
A tentação óbvia é escolher o prazo mais curto e ficar com a prestação mais baixa.
A conta não é essa, e convém perceber porquê.
A EURIBOR a doze meses não é mais cara por arbitrariedade: é mais cara porque incorpora a expetativa do mercado sobre o que vai acontecer às taxas durante esse período.
Quando a curva está inclinada como está agora, o mercado está a dizer que espera taxas mais altas à frente.
Quem escolhe a revisão a três meses está a pagar menos hoje e a aceitar receber essa subida assim que ela acontecer.
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