“Bandalheira”, “sem rumo” e “biombo”: partidos trocam acusações quanto a escalada do custo de vida
O líder da bancada social-democrata acusa José Luís Carneiro de defender uma política económica “assistencialista e a pensar nas sondagens”, colando as propostas socialistas de descida de impostos ao fantasma de José Sócrates e da bancarrota.
Pelo contrário, Hugo Soares argumenta que o Governo deu “liberdade de escolha” aos portugueses, isto depois de um bate-boca tripartido entre PS, PSD e Chega.
No debate plenário urgente desta sexta-feira pedido pelo PS, Hugo Soares defendeu a escolha política do Governo de descer o IRS em vez de negociar com Bruxelas a redução do IVA nos combustíveis, como queriam Chega e PS.
“O Governo decidiu dar liberdade de escolha às pessoas e deu-lhes rendimento”, ilustrou, argumentando que, “se não fosse a decisão do Governo, os combustíveis estariam mais caros em 23 cêntimos”.
O líder da bancada que apoia o Executivo deixou ainda fortes críticas à política económica de José Luís Carneiro, ressalvando que os reparos eram dirigidos diretamente ao atual secretário-geral do PS e não aos seus antecessores.
“A sua política económica é um erro, é assistencialista, a pensar nas sondagens.
A nossa é a pensar no país e nas novas gerações”, atirou, deixando ainda uma provocação às discórdias internas no PS, incentivando José Luís Carneiro a “consensualizar” dentro do partido.
Antes, o líder do PS havia acusado o Executivo de “insensibilidade” na forma como tem gerido a crise do custo de vida, criticando a decisão de não avançar com a redução do IVA na energia.
“Não é compreensível”, criticou.
Em resposta, Hugo Soares reavivou fantasmas da bancarrota e do antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates.
“E se para a semana [os preços dos combustíveis] voltarem a aumentar? Pede mais descontos? E depois mais? Faz isso até ser o novo José Sócrates e levar o país à bancarrota? Nós não”, afirmou o líder da bancada social-democrata.
Ventura e Aguiar-Branco chocam No arranque do debate, o Chega havia acusado o Chega de hipocrisia ao não aprovar a proposta de lei do partido precisamente para baixar o IVA dos combustíveis para a taxa intermédia, de 13%, e taxa zero para um cabaz de bens alimentares essenciais.
Recorde-se que ambos os partidos apresentarem projetos com este objetivo, mas, no caso do Chega, foi um projeto de lei com efeitos a partir de 1 de janeiro, enquanto o PS apresentou uma recomendação para que o Governo adoptasse estas medidas.
Em resposta, Carneiro acusou André Ventura de ser o “biombo” do Governo e ter “impedido o escrutínio” à ação do Executivo durante o verão, além de empurrar as respostas à crise atual para o próximo ano.
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