Miranda Sarmento diz que notícia da entrada no BCP foi “total surpresa” e conta com dividendos da REN
O Estado vai estar presente na Assembleia Geral da REN em maio do próximo ano e classifica a entrada no capital da empresa como um bom investimento, mas garante que a principal motivação é geoestratégica.
Ou seja, o facto de Portugal ser um dos poucos países da Europa sem participação em empresas do género, situação que segundo ministro se torna fundamental num contexto de alterações geopolíticas com implicações na área da energia.
As declarações são de Joaquim Miranda Sarmento, Ministro de Estado e das Finanças, em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios.
Sobre o BCP e a Galp, o Governo diz estar a acompanhar os dossiers, mas a notícia sobre a entrada no banco foi “uma total surpresa”.
Questionado sobre o regresso do Estado ao capital de empresas estratégicas, Miranda Sarmento foi mais detalhado em relação à REN.
O ministro não adiantou valores sobre os dividendos que o Estado poderá receber, mas confirmou que a presença já será efetiva na próxima Assembleia Geral: “em maio do próximo ano, quando houver Assembleia Geral da REN, o Estado já vai estar presente”, afirmou.
Sobre a operação, Miranda Sarmento fala “de um bom negócio”, mas sublinha que o retorno financeiro não foi o motivo principal.
“Portugal era um dos poucos países da Europa sem participação em empresas do género, situação que se torna fundamental num contexto de alterações geopolíticas com implicações na área da energia”, explicou.
Quanto à Galp, que está a negociar a fusão com a Moeve (antiga Cepsa, controlada pela Carlyle e pela Mubadala) das suas atividades a jusante (downstream) na Península Ibérica, o ministro assegurou que o Governo está em diálogo ativo para garantir a manutenção de infraestruturas críticas.
“O Governo está a falar com as duas empresas para assegurar que a refinaria da Galp continua a ser um ativo estratégico do país”, disse.
Já sobre a entrada no capital do BCP, noticiada esta sexta-feira pelo semanário Expresso, o governante foi peremptório: “Sobre a entrada no capital do BCP, não é um tema que tenha sido abordado.
Para mim foi uma total surpresa”.
A notícia avançava que o Estado português pondera adquirir uma participação minoritária inferior a 5% no BCP na sequência da possível venda da posição detida pela Fosun.
Uma medida, que segundo o Expresso, visa evitar uma maior exposição do setor bancário nacional a capital estrangeiro, em particular espanhol, e proteger um ativo considerado estratégico para a economia do país.
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