Israel ocupa instalações de agência da ONU em Jerusalém Oriental
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, assumiu que a operação – classificada entretanto pela organização como uma violação da inviolabilidade das instalações das Nações Unidas - foi realizada sob as suas instruções e ao abrigo da legislação aprovada por Israel para impedir as atividades da agência da ONU.
"A evacuação do complexo da UNRWA em Kafr Aqab, Jerusalém, começou hoje", declarou Netanyahu nas redes sociais.
"O Estado de Israel não permitirá que uma organização cujos funcionários estiveram envolvidos em terrorismo e no massacre de 07 de outubro [de 2023] opere no seu território e agirá contra ela com todos os meios ao seu dispor", acrescentou o chefe de Governo israelita.
O ministro da Segurança Nacional e figura da extrema-direita israelita, Itamar Ben-Gvir, divulgou uma fotografia da bandeira de Israel hasteada no Centro de Formação de Qalandiya, afirmando: "A UNRWA está nas nossas mãos".
Segundo a agência das Nações Unidas, pelo menos quatro veículos blindados e mais de 50 elementos das forças de segurança israelitas entraram à força no complexo por volta das 10:00 locais, quando se encontravam no interior das instalações aproximadamente 20 funcionários.
A agência sublinhou que o centro é uma instalação das Nações Unidas e está protegido pelos privilégios e imunidades previstos no direito internacional, pelo que "a sua inviolabilidade deve ser totalmente respeitada".
O comissário-geral da UNRWA, Christian Saunders, classificou a entrada das forças israelitas como "profundamente alarmante e inaceitável" e apelou à comunidade internacional para agir em defesa das instalações da organização.
Saunders salientou que o Centro de Formação de Qalandiya, o mais antigo do género administrado pela UNRWA, proporcionou durante mais de sete décadas formação profissional a milhares de jovens refugiados palestinianos.
Israel autorizou entretanto um plano para construir no local um novo complexo com escolas, uma mesquita, instalações desportivas e unidades de saúde, além de novas infraestruturas rodoviárias.
As autoridades israelitas argumentam que o terreno pertence ao Fundo Nacional Judaico desde 1937 e foi cedido à Câmara Municipal de Jerusalém, enquanto a UNRWA afirma que a Jordânia lhe disponibilizou a área em 1952 para a instalação do centro de formação.
A operação insere-se na ofensiva política e legal de Israel contra a UNRWA, depois de o parlamento israelita ter aprovado legislação destinada a impedir as atividades da agência.
Israel acusa funcionários da UNRWA de envolvimento nos ataques do movimento islamita palestiniano Hamas de 07 de outubro de 2023, acusações que a agência tem contestado.
Uma investigação externa liderada pela antiga ministra dos Negócios Estrangeiros francesa Catherine Colonna concluiu que Israel não tinha apresentado provas que sustentassem algumas das acusações mais abrangentes contra a neutralidade da agência.
Em outubro de 2025, o Tribunal Penal Internacional (TPI) concluiu igualmente que Israel não tinha fundamentado as alegações relativas a ligações generalizadas entre a UNRWA e o Hamas.
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