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Porto quer voltar a exibir coração de D. Pedro IV na Igreja da Lapa

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Porto quer voltar a exibir coração de D. Pedro IV na Igreja da Lapa

Em comunicado, a autarquia explica que, durante a preparação dos espaços destinados a acolher a exposição, "verificou-se a necessidade de uma intervenção de reparação no teto da Galeria dos Retratos da Irmandade da Lapa", tendo sido decidido votar a atribuição de um apoio para tal.

"Para assegurar as condições de fruição pública, assim como a dignidade da iniciativa, os trabalhos incluem a reparação e impermeabilização daquela área e a decorrente recuperação do teto, num custo global calculado em 2.550 euros", acrescentou o município.

Em agosto de 2022, o coração de D. Pedro IV foi exposto na Igreja da Lapa antes de ter sido transladado para o Brasil, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do país.

A transladação do coração foi, à data, votada pelo executivo municipal e, devido à sua fragilidade, chegou a ser pedida uma peritagem técnica ao Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, que concluiu ser possível realizar a mesma, mediante a "exigência de um transporte em ambiente pressurizado".

O rei D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV para Portugal foi o monarca que conduziu o Brasil, antiga colónia portuguesa, à independência e o seu corpo encontra-se na cidade brasileira de São Paulo.

O monarca doou o seu coração ao Porto porque viveu na cidade durante os meses do Cerco do Porto [entre julho de 1832 e agosto de 1833] e "houve entre ele e a população uma cumplicidade enorme", explicou em 2013 à Lusa o historiador e mesário da Ordem da Lapa Ribeiro da Silva, que classificou a doação de "um gesto único na história de Portugal".

Desde 1937 que o coração de D. Pedro IV está guardado "a cinco chaves" no mausoléu da Igreja da Lapa, exigindo mil cuidados e uma complexa operação para o retirar.

À data, o historiador explicava que o coração não estava exposto porque "é um órgão muito frágil" e com muitos anos, sendo que a Ordem da Lapa tentava que se abrisse "o menos possível" o mausoléu.

D.Pedro IV morreu em setembro de 1834 e a sua mulher, D. Amélia, "fez encerrar o coração num escrínio (uma espécie de vaso, ou guarda-joias) com duas tampas e entregou-o ao ajudante de campo do rei que veio de Lisboa para o Porto num navio".

O coração chegou ao Porto em fevereiro de 1835, quase cinco meses após a morte do monarca, e foi "em procissão da Ribeira para a Lapa" e "toda a cidade esteve presente".

O coração chegou à Lapa numa urna de madeira de mogno, dentro da qual estava um estojo (o original foi a única peça substituída, mas mantêm-se na igreja) e, lá dentro, um vaso de prata dourada com duas tampas.

Seguiram-se "dois anos de espera" para a Câmara e a Irmandade da Lapa "chegarem a acordo sobre o sítio onde devia ficar o monumento", período durante o qual o coração "ficou na capela-mor à guarda de uma sentinela, porque havia receios que fosse roubado", contextualizou Ribeiro da Silva.

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