“Não basta exportar mais. É preciso crescer em produtividade e valor”, diz economista Óscar Afonso
O economista Óscar Afonso considera que as empresas portuguesas podem ganhar escala com mais investimento em qualificação na área da gestão, sofisticação setorial e internacionalização , enquanto os legisladores devem tornar a fiscalidade mais competitiva, reduzir a morosidade da justiça e reformular a lógica dos fundos europeus.
“Portugal tem de apostar nas exportações para escalar, aumentar o potencial de crescimento económico e o nível de vida.
Porque é que Portugal exporta menos do que seria de esperar? Existem poucas grandes empresas no país, o que contribui para o défice de produtividade” , afirmou Óscar Afonso, numa intervenção durante a Fábrica 2030, uma das conferências que marcam o 10º aniversário do ECO, que decorre esta quarta-feira na sede da ANJE, no Porto.
O professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) alertou que Portugal tem poucas grandes empresas, o que limita o seu contributo para o emprego, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) e as exportações.
“São precisas mais grandes empresas para reforçar a produtividade, o emprego qualificado, a criação de VAB e as exportações”, defendeu.
Segundo os dados do Eurostat cruzados com os cálculos do economista, as grandes empresas são significativamente mais produtivas (1,8 vezes superior às PME em Portugal em 2023).
Em 2024, o peso das grandes empresas no tecido empresarial português era de apenas 0,09%, o segundo mais baixo da UE (0,16%).
No emprego, a percentagem era de 23,1%, a quinta mais baixa da dos 27, onde a média é de 36,3%.
O mesmo se passa no VAB, no qual representa cerca de um terço (35,2%) e está significativamente abaixo do dos países de Leste (39,6%) e da Europa (49,1%).
Óscar Afonso advertiu ainda para o facto de Portugal ter poucas grandes empresas exportadoras de bens: o seu peso no valor das exportações de bens é de apenas metade (49,8%) face à maioria (64,3%) na UE .
O mesmo se passa na proporção de grandes empresas exportadoras, que é só 1,4%, contra 2,2% na UE.
“As exportações portuguesas estão excessivamente fragmentadas.
O Top 5 de exportadores representam apenas 15% das exportações de bens, contra 21% na UE e 19% nos países de Leste.
O Top 1000 exportadores concentra 75% das exportações, significativamente abaixo dos 84% registados na UE e nos países de Leste.
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