Em Lisboa testam-se fármacos do futuro contra cancro
O fármaco que esta semana revelou resultados “muito positivos” contra os tipos de cancro da pele mais agressivos foi testado pela primeira vez, em 2010, nos Estados Unidos da América. Anos depois, o centro START transformou-se num consórcio internacional com mais de uma dezena de espaços nos EUA e na Europa para receber ensaios clínicos com um potencial inovador contra o cancro. Um desses centros está em Lisboa, no Hospital de Santa Maria, unidade hospitalar que acolheu o estudo contra o melanoma da Moderna e da MSD.
O pembrolizumab foi desenvolvido por James P. Allison e Tasuku Honjo, e a descoberta valeu-lhes o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina em 2018. Trata-se de uma opção terapêutica focada na potenciação do sistema imunitário de quem recebe o tratamento para combater um tumor.
O estudo passou pelos IPO do Porto e de Lisboa, pelo Hospital São Francisco Xavier e pelo Hospital de Santa Maria, onde fica o START Lisboa. André Mansinho é oncologista e, desde 2022, o responsável pelo centro. O papel que este tem é semelhante ao dos restantes membros deste grupo internacional: atrair ensaios clínicos promissores contra cancros sólidos e hematológicos, de modo a acelerar a descoberta de novas opções terapêuticas para combater patologias que, nos dias de hoje, permanecem sem uma solução viável. O primeiro ensaio no âmbito desta parceria chegou no final de 2024 e, desde então, já passaram por Santa Maria outros onze. Porém, o diretor clínico espera que o número total possa quase duplicar até ao final deste ano.
Desde dezembro de 2024, foram tratados “pouco mais de 30 doentes”, mesmo que a expectativa seja de tratar “40 a 50” este ano e duplicar esse número em 2027. “Alguns estudos abriram recentemente e estão a crescer. O objetivo é dar acesso ao maior número de pessoas possível”, conta o responsável. Uma das pessoas que, apesar de não ter chegado a beneficiar de um ensaio clínico, chegou a ser referenciada para o START na busca de um tratamento para o seu caso avançado de cancro do pulmão, foi Luís Represas.
O tumor já havia metastizado quando o oncologista responsável pelo caso do cantor o encaminhou para as instalações do consórcio em Portugal. “Foi observado de forma muito célere e proposto para um ensaio clínico, pelo qual aguardava”, explica André Mansinho. No entanto, o membro fundador do Trovante “não chegou a entrar”. “Os doentes têm de estar num estado de saúde razoável, por questões de segurança. Temos de garantir que fazem o processo de forma segura, com muita observação. Foi efetivamente uma questão clínica”, completa, referindo que o “desfecho” deste caso foi “infeliz”.
“A nossa missão é criar consciencialização e awareness para que os oncologistas referenciem os doentes de forma precoce. Mesmo que não tenhamos alternativas imediatas, o doente fica sinalizado e mantém contacto regular connosco [por telefone ou e-mail], o que nos permite estudar a situação clínica para propor a inclusão assim que surja uma vaga adequada”, refere o diretor clínico do START.
No START, existe uma lista de projetos abertos, em fase de recrutamento .
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