Da demissão às acusações a Luís Neves. A “telenovela” no MAI em sete episódios
Episódio 1: A demissão Depois de um verão marcado por sucessivas controvérsias, o ministro Luís Neves vê-se novamente envolvido numa polémica.
A substituição do secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI) provocou esta segunda-feira uma grave troca de acusações em praça pública entre a tutela e um secretário-geral demissionário.
O que se passa, afinal, no MAI? Luís Neves demite secretário-geral do MAI Ler Mais O dia começou com uma notícia que expôs um clima de forte tensão no ministério, opondo Luís Neves ao então secretário-geral do MAI, Ricardo Carrilho .
No centro do diferendo está outro nome marcado por fortes controvérsias durante a última década: a SIRESP SA, a empresa que gere a rede de comunicações de emergência do Estado português.
Segundo o Expresso , Ricardo Carrilho estaria em vias de ser afastado pelo ministro, uma informação que não tardou a ser confirmada.
Passavam sete minutos das 11 quando chegou o comunicado do MAI a dar conta do despedimento do secretário-geral, que desempenhava a função em regime de substituição desde 2025.
Em três parágrafos, o gabinete de Luís Neves enquadrou a decisão “na reorganização da Secretaria-Geral, com a preparação de uma nova estrutura orgânica e de procedimentos adequados às responsabilidades do Ministério , imprimindo uma nova orientação à gestão do serviço”.
Três horas depois, o MAI anunciou a nomeação de Nuno Miguel Parreira da Silva, comandante da Escola da GNR desde novembro de 2024 , como substituto de Ricardo Carrilho.
Nesse novo comunicado, o ministério insiste na “transformação do serviço”, destacando o objetivo de “reforçar a sua capacidade de gestão e assegurar o cumprimento das suas atribuições, em articulação das entidades públicas”.
Episódio 2: ‘Contra-ataque’ de Carrilho O caso podia ter ficado por aqui.
Mas Ricardo Carrilho, acabado de ser demitido da sua função, não se conformou.
Seis horas depois do anúncio oficial, publicou um artigo de opinião no Expresso intitulado “A ditadura da incompetência: como o respeito pela Lei e o mérito técnico se tornaram alvos a abater na Administração Interna”.
O texto faz alegações graves sobre a conduta de Luís Neves e dificilmente poderia ser mais arrasador: “Ao longo de 20 anos de carreira, […] cruzei-me com diferentes governos, servi sob o comando de ministros de quadrantes políticos distintos, geri orçamentos complexos e enfrentei crises institucionais agudas.
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