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Diário de Notícias ·

Há uns anos, não havia “resiliência”, havia resistência.

Não havia “flotilhas”, haveria frotas ou esquadrilhas.

Não havia – e creio que não há... – “acampadas”: havia acampamentos, que eram coisas de escuteiros e de franceses que vinham aproveitar a falta de fiscalização nas arribas algarvias e noutras.

Quando às flotilhas e às acampadas, dou-as de barato – são palavras.

Quanto à parte da resistência, é tema mais sério.

Creio que não poderá fazer parte de nenhum protocolo ou manual de intervenção policial perante uma multidão não-violenta a prática, sobejamente visionada, de pontapear miúdos caídos no chão.

Sei que há uma longa tradição histórica nesse sentido, em Portugal e um pouco por todo o mundo.

Mas, filmado assim na sua crueza, como se viu no Porto, recompensar o sentimento de justiça coletiva e de intervenção cívica de alguns, entretanto caídos no chão, com um pontapé do Estado na boca, talvez seja desajustado, desproporcional, gratuito...

Percebe-se a ingratidão da tarefa, mas não se percebe o premiar tácito da violência.

Talvez até muitos dos agentes da PSP estivessem também, estruturalmente, do outro lado, apesar dos seus deveres funcionais noturnos: sem dinheiro para comprar ou arrendar uma casa, limitados nos seus planos de vida, circunscritos pelas contas e pelos preços.

Mas será preciso também perceber que, ao fim de tantos anos de apoucamento de possibilidades e de futuro, para a dita geração mais qualificada de portugueses, e só apenas depois de uma mimetização do que sucedeu em Madrid, umas dúzias de pessoas a ocupar uma praça - e mesmo perante a ingénuo-ditadura das designadas “assembleias populares” - não será propriamente uma ameaça à segurança interna.

Em 2012, em Lisboa, a renda de um T1 ou de um T2 podia custar 500 euros.

Sim, eram tempos de pobreza, provocada.

Mas em 2015, 2016, esse valor já tinha subido para o dobro ou mais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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